A precoce saída de mais uma joia da base Tricolor

Por Allefe Soares

Augusto Galvan é mais um jovem que teve problemas com a renovação contratual e está deixando o Tricolor do Morumbi.

No São Paulo da década de 2000, tem sido recorrente a perda de jogadores de forma precoce, devido principalmente à dificuldades contratuais. Nos anos de 2011 e 2015, dois casos se destacaram:

2011: Grande destaque do sub-17 são-paulino, Lucas Piazon era conhecido na imprensa estrangeira como o “novo Kaká”. Antes do Sul-americano sub-17, Piazon já havia despertado o interesse de gigantes europeus (como Chelsea e Juventus), mesmo com o atleta sempre demonstrando que queria chegar aos profissionais do São Paulo e fazer história. Caracterizado por dribles rápidos e boa visão de jogo, Lucas logo cedeu ao assédio destes clubes e acertou sua ida (após completar a maioridade) para o Chelsea, por € 7,5 milhões (R$ 17,4 milhões), sendo 80% disso do São Paulo. Piazon saiu sem disputar uma partida sequer pelo time principal são-paulino. Hoje, está no 5º empréstimo da carreira, no Fulham (da segunda divisão inglesa).

Piazon não conseguiu o protagonismo que se esperava dele na Inglaterra (Foto/Reprodução)

2015: Destaque da Copinha deste ano, Gustavo Hebling teve dificuldades para renovar o contrato com o São Paulo, que acabaria em junho o mesmo ano. Volante de bons passes e ótima saída de jogo, Gustavo não teve dificuldades em procurar novos clubes após o fim do seu contrato. Agenciado pelo gigante Mino Raiola, Hebling logo foi seduzido por propostas de clubes europeus e acabou parando no Paris Saint-Germain. Com isso, o São Paulo não recebeu valor algum por essa negociação (semelhante ao caso do João Schmidt, que jogará na Atalanta em julho) e viu mais um jogador da base sair sem disputar partidas pelo time profissional. Hoje, Gustavo Hebling está emprestado pelo PSG ao PEC Zwolle, da Holanda.

Após saída conturbada, o jogador agora desfila pelos campos da Holanda (Foto/Reprodução)

Esses dois casos servem como introdução para falarmos da mais nova promessa Tricolor que está indo para o exterior sem sequer passar pelo sub-20 do São Paulo. Trata-se do meia-atacante Augusto César Veríssimo Galvan, jogador que, por pouco, não saiu do SPFC de graça.

Na flor dos seus 15 anos de idade, Augusto teve grande destaque quando o São Paulo disputou a Al Kass International Cup, torneio sub-17 disputado em 2015 no Catar, e que contou com a participação de equipes como PSG, Real Madrid, Milan, etc. Canhoto, habilidoso e dono de uma ótima visão de jogo, o jogador nascido em 25 de março de 1999 se destacou nas partidas que disputou por todas essas virtudes, além de também ter feito uma boa campanha no Paulistão da mesma categoria, onde marcou 9 gols em 21 jogos.

Augusto se destacou bastante no torneio do Qatar e chamou atenção dos Europeus (Foto/Reprodução)

Desde essa época, o São Paulo enfrentou problemas para renovar o contrato desse rapaz. Augusto, que sempre foi tratado como um dos melhores jogadores da sua geração no país, tinha contrato de formação com o São Paulo até março de 2017 e, como houve problemas na renovação, ficou encostado em Cotia durante todo o ano de 2016 (sendo até rebaixado de categoria).

Toda essa novela não poderia um desfecho diferente de uma saída do atleta, que selou acordo com o gigante Real Madrid. O acordo que São Paulo, Real Madrid e o empresário do atleta chegaram é que o Tricolor renovará com o jogador e ele será vendido ao clube espanhol por € 3 milhões, sendo € 1 milhão agora e o restante será dividido em metas que ele pode ou não alcançar pelo clube merengue.

O fim dessa negociação foi muito comemorado pelos diretores do São Paulo, já que o clube iria perder o Augusto sem receber compensação alguma. Agora, a grande questão é: isso foi vantajoso para o jogador?

Nome de Augusto também era ligado ao Barcelona (Foto/Reprodução)

Augusto deve ser integrado ao Real Madrid Castilla, que conta com ótimos jogadores para a função de meio-campo (Federico Valverde e Aleix Febas são alguns exemplos), o que deve deixar o tempo de jogo do brasileiro ainda mais curto. Caso não mostre serviço logo de cara, ou o Augusto ficará na reserva durante a maioria dos jogos, ou será emprestado para ganhar bagagem na Europa, tornando a vida do jogador ainda mais difícil.

Há exemplos de brasileiros que não deram muito certo quando foram para o time B do Madrid, como o lateral-direito e volante Fabinho (que disputou apenas uma partida pelo time principal e só conseguiu alavancar a sua carreira quando foi para o Monaco), Willian José (jogador que também só alavancou a carreira quando saiu do Real), Alípio (contratado pelo Real por € 1,4 milhões, o jogador não teve chances na Espanha e rodou muitos clubes pequenos; atualmente está no Atlético Goianiense) e o próprio Abner, que integra o Real Madrid Castilla e dificilmente deve ingressar no time principal.

Talvez o Augusto esteja cometendo o mesmo que os jogadores citados acima cometeram. A última coisa que um jovem jogador deve levar em conta quando for assinar um contrato é o prestígio do time, ou então um alto salário (coisa que, provavelmente, o Real deve ter oferecido). O que ele mais precisa agora é tempo de jogo, ainda mais após ter ficado encostado durante o ano de 2016, e dificilmente ele terá isso no Castilla.

Respostas concretas para essa pergunta nós só teremos daqui três ou quatro anos, quando saberemos se o Augusto tomou a decisão certa ou não.

Conheça um pouco do futebol da jovem promessa no vídeo abaixo:


Allefe Soares, estudante do Ensino Médio, já participou da fase final das Olimpíadas da Língua Portuguesa em 2016. Atualmente participa do projeto São Paulo FC Stuff, principal fonte de notícias do clube paulista no Twitter.

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