A Seleção da final da Copa do Brasil

Colaborou: Lucas Siciliano

No dia 7 de setembro, Cruzeiro e Flamengo medem forças no Maracanã, no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil de 2017. Dois elencos recheados de estrelas e com muita qualidade, prometem apresentar ao torcedor um grande jogo. Combinamos as duas equipes para formar uma seleção dessa final e o nível da equipe impressiona. Veja a seguir, o que é possível formar com os craques estarão na grande decisão!


Uma boa seleção começa por um bom goleiro. Fábio, há anos é destaque no futebol brasileiro e mesmo chegando aos seus 37 anos, está na galeria de melhores arqueiros do país. Com uma qualidade invejável debaixo dos paus, o cruzeirense tem um bom reflexo e consegue fazer defesas espetaculares em lances inimagináveis. Após uma lesão no joelho, que lhe tirou dos gramados por mais da metade da temporada passada, o ídolo celeste reassumiu a posição nesse ano, deixando Rafael para trás.

Tendo acumulado algumas falhas, principalmente na saída do gol, Fábio é titular da nossa seleção também pela deficiência dos seus adversários. Já que Diego Alves não pôde ser inscrito na Copa do Brasil, Thiago e Muralha disputam uma vaga no gol rubro-negro para disputar a final e cá entre nós, ambos são muito fracos.

O lateral-direito não faz parte das unanimidades da seleção. Rodinei, contratado no começo de 2016 após bom campeonato brasileiro em 2015 pela Ponte Preta. No ano passado, chegou como uma possível solução na lateral que tinha como dono o Pará, sempre muito criticado pela torcida rubro-negra. Acabou que, ao longo da competição, não conquistou seu espaço e continuou no banco. Nesse ano foi diferente. Aproveitou as oportunidades, o carisma e hoje é titular da equipe. O lateral se caracteriza pela boa chegada ofensiva, como elemento surpresa – já sendo utilizado como ponta ao decorrer e no ínicio das partidas – e pela seu bom aproveitamento nos cruzamentos.

Como dito antes, Rodinei não faz parte das unanimidades muito por pecar no momento defensivo e por ter como rival o volante, Lucas Romero, que vinha sendo improvisado nessa posição.

O primeiro zagueiro da nossa seleção é o xerife e absoluto na zaga rubro-negra. Réver, que chegou por empréstimo do Internacional no ano passado, continua sendo unanimidade tanto na torcida como na comissão técnica. Tem como características principais o jogo aéreo, devido a sua altura avantajada, e a sua boa saída de jogo quando é exigido. Além de ser muito seguro nos desarmes.

Em comparação a Léo, Réver larga bem na frente, principalmente por causa do mau ano que vem fazendo o zagueiro cruzeirense, que é, também, muito criticado pela sua torcida ao contrário de seu rival.

O companheiro de Réver na zaga da nossa seleção é, de certa forma, uma surpresa. Jovem e cria da base do Cruzeiro, Murilo virou titular da equipe por acaso, devido às lesões acumuladas no setor defensivo. Alto, com muita qualidade no jogo aéreo e com tranquilidade pra realizar os desarmes, a joia tomou conta da posição. Com velocidade de recomposição e, ainda, noção de posicionamento, se tornou o ponto vital para a mudança de postura defensiva celeste.

Se compararmos Murilo, ao seu rival flamenguista, a disputa chega a ser covarde. A dupla de Réver no Flamengo não é consolidada e possui variações sempre, mas independente do nome, sendo Juan, Rafael Vaz e etc, o zagueiro da raposa possui ampla vantagem.

O lateral-esquerdo da nossa seleção da final é cruzeirense. Diogo Barbosa, ex-Botafogo, impressiona pela qualidade para conduzir a bola e chegar ao ataque. Sendo muito rápido e se movimentando muito bem, é um dos melhores do país na posição. O jogador participa muito da construção do jogo celeste, sendo vital em jogadas de linha de fundo e de tabelas no setor ofensivo. Na parte defensiva, ele não é dos melhores, mas passa certa segurança, principalmente pela noção de posicionamento.

Em comparação ao seu rival, Trauco, a regularidade de Diogo o credencia pra esse lugar na seleção. Ainda é necessário ressaltar o peso dos dois para os seus respectivos times, com o lateral da Raposa levando uma vantagem absurda.

Chegando ao meio-campo, o primeiro volante da nossa equipe é aquele famoso classudo. Responsável por segurar a barra da defesa do Cruzeiro e iniciar todas as jogadas, o experiente Henrique busca mais um título com a camisa celeste. Ídolo da raposa, a condição que o jogador possui de equalizar o jogo e fazê-lo girar da forma que quiser, sem abdicar da força física e marcação pesada, o credencia para atuar na maioria dos clubes do país.

Melhor que Arão, Henrique ainda garante sua vaga com facilidade nessa seleção, pela má temporada do jogador rubro-negro, que somente conseguiu voltar a render após o início da Era Rueda. Sempre bom ressaltar, que o cruzeirense sempre demonstra uma vontade especial em campo, o que não deve ser diferente na final, já que quer, mais do que nunca, apagar as marcas da final da Libertadores de 2009, onde ele marcou o tento celeste;

O segundo volante é o primeiro estrangeiro da nossa seleção. Cuéllar, que por coincidência era cobiçado pelo Cruzeiro, foi comprado do Deportivo Cali logo no começo do ano passado. Em 2016, pouco foi aproveitado durante o campeonato brasileiro e sempre teve muita cobrança da torcida para que tivesse mais oportunidades. A chance chegou esse ano. Após vários problemas na volância rubro-negra, ele substituiu Arão – que hoje é seu companheiro – e não saiu mais.

A qualidade que mais impressionou aos torcedores foi o ótimo aproveitamento nos passes e saída de bola. Diferente de Márcio Araújo, o colombiano arrisca muito mais visando o ataque e, dificilmente, cede a posse ao adversário. Outra característica é o bom chute de fora da área, que culminou em um gol decisivo nas quartas contra o Santos. Seu rival na posição é Hudson, que apesar do bom ano com a camisa do Cruzeiro, não vem sendo tão regular quanto o estrangeiro.

O nosso primeiro meia é um dos craques da nossa seleção e do Flamengo. Diego, amado pelos flamenguistas desde sua badalada contratação no meio de 2016. Desde lá, vem fazendo jus a todo o carinho que recebe da torcida, colecionando ótimas atuações, gols importantes e tudo mais. É bem verdade que após o meia rubro-negro voltar de lesão, vinha sendo bastante irregular – porém, nada anormal, depois de passar tanto tempo em alto nível -.

Possui a seu favor uma enorme capacidade de quebrar linhas defensivas, ser muito ágil e presente em todo o momento ofensivo do Flamengo. Além de ser uma grande arma nas bolas paradas. Seu rival na teoria seria Thiago Neves, mas seria uma baita injustiça deixar qualquer um dos dois de fora pelo que fazem em seus times.

O melhor meia da Copa do Brasil e, talvez, até aqui, o melhor meia do Campeonato Brasileiro, Thiago Neves não poderia estar de fora da nossa seleção. Sendo o jogador de meio-campo com mais finalizações certas do país em 2017, o craque é o principal jogador do Cruzeiro na temporada. Com uma perna esquerda de qualidade absurda, é responsável por bater a maioria das bolas paradas cruzeirenses, que foram importantíssimas para a equipe alcançar a final.

Pela sua temporada, Thiago não pode ser comparado com nenhum jogador do Flamengo, principalmente se tratando do elenco enfraquecido dos rubro-negros para a disputa da Copa do Brasil devido aos problemas de inscrição.

Aberto pela esquerda, o jogador escolhido também é do Cruzeiro. Cria da base, o meia Alisson se destaca pela velocidade e pelo drible, sendo capaz de puxar contra-ataques com maestria e ainda, trabalhar muito bem próximo da pequena área. Precisando de um espaço curto para criar uma jogada, utiliza de seus dribles pra dentro pra abrir espaço, geralmente puxando bolas para a perna direita, buscando criar possibilidades de passe ou chute.

Protagonista da jogada que mais funciona na raposa, Alisson trabalha muito bem com Diogo Barbosa, confundindo marcações com constantes tabelas e troca de posição. Devido a esse entrosamento e visando um XI que renda bem em campo, o jogador superou Éverton do Flamengo, que também faz uma temporada sensacional.

O centroavante não podia ser nada mais, nada menos que ele: Paolo Guerrero. Uma das primeiras e principais contratações, dessa que representa uma nova era de reestruturação no clube carioca. O peruano, hoje vive seu melhor momento na carreira no quesito gols marcados e é mais do que unanimidade da torcida. O pilar do time no ataque faz o pivô como poucos no Brasil: cria diversas jogadas dessa maneira, e melhorou bastante seu poder de finalização, que até então, não fazia parte de suas características principais e que hoje faz ele ter um bom número de, praticamente, 1 gol a cada 2 partidas no ano.

Rivaliza com Rafael Sóbis, alvo de críticas duras da torcida celeste e que faz um péssimo 2017 em todos os quesitos. Hoje não há comparação e o peruano é uma das unanimidades da seleção

Finalizando a seleção, o melhor técnico da América. Reinaldo Rueda, após uma última temporada fantástica, vencendo Libertadores e Campeonato Nacional pelo Atletico Nacional, chegou ao clube carioca já nas Semi-Finais da Copa do Brasil. Por enquanto, apenas comandou a equipe em 3 jogos, sem levar um único gol. Se destacou muito pelo seu estilo ofensivo, propondo jogo como poucos e isso sem deixar a defesa desguarnecida(característico deste estilo).  Além de ser um técnico que prioriza muito a saída de jogo com qualidade e com a bola no chão.


O XI ideal da grande final da Copa do Brasil possui características importantes. Com dois volantes com boa qualidade de marcação, mas condição de sair jogando muito bem, aliados a dois laterais que gostam de apoiar, a subida para o ataque seria facilitada. Os dois craques da meia, Diego e Thiago Neves, trariam genialidade para a equipe, com passes e finalizações de média distância.

A velocidade de Alisson e o faro de gol de Guerrero, tornariam a equipe letal. Na defesa, os dois zagueiros altos e rápidos tornariam o setor muito sólido, podendo ser importantes, ainda, em jogadas de bola aérea defensiva. O estilo de Rueda, seriam também potencializado pelas peças, que aliam qualidade e inteligência, para conseguir compreender o que o treinador passaria em termos de posse de bola e saída em velocidade.

É inquestionável o número de opções de qualidade presentes em Cruzeiro e Flamengo, principalmente se ressaltarmos que grandes jogadores como Éverton e Robinho ficaram de fora dos 11. Esperamos que todas as expectativas criadas em torno desse jogo sejam alcançadas e que a festa no Maraca e no Mineirão seja um exemplo para o futebol brasileiro, que tem se tornado escravo do jogo reativo.

Comentários

Comentários