Benfica – Um Relato Tricampeão

O português e benfiquista João Pereira relembra a trajetória dos Encarnados até o tricampeonato:

2015-2016. O campeonato que mais festejei, de longe, dos 5 campeonatos que já vi o Benfica ganhar. Porquê? Por muitas razões: o treinador(Jorge Jesus), que acabou com a hegemonia do FC Porto ao ganhar 3 campeonatos nacionais e que foi motivo de orgulho benfiquista por 6 anos,  saiu pela porta de trás ao mudar-se, num negócio muito controverso e polêmico,  para o rival Sporting.

jorge_jesus_sporting_lusa_miguel_a20430e4e_664x373.jpg

 

Todos pensavam que o Benfica ia passar grandes dificuldades, inclusive eu. Muitos jogadores de saída, o Porto reforçando-se muito bem e o Sporting, que além de ter um treinador que sabia tudo sobre nós, trazia grandes reforços. Preocupação que foi acentuada após a derrota por 3 a 0, em casa, contra o mesmo Sporting.

Tudo parecia estar perdido. Fomos humilhados em casa pelos nossos rivais mais antigos, por um treinador que antes tão adorado, agora tirava sarro  com provocações ao Benfica e e nosso novo treinador, Rui Vitória. O Judas numa de suas entrevistas chegou a dizer que o Rui tinha uma Ferrari(elenco do Benfica) nas mãos, mas não acreditava que conseguiria dirigi-la.

Chegamos ao fundo do poço com o revés no Derby, mas a partir daí foi sempre a subir. Jorge Jesus não percebeu, mas tornou-se o seu principal inimigo, porque após tantas provocações, o Benfica se uniu aos torcedors como nunca se tinha visto.

A partir daí, o Benfica apenas empatou um jogo, perdeu outro e ganhou o resto. Foi sempre a subir. Passou a fase de grupos da Champions, venceu o Atlético de Madrid por 2 a 1 no Calderón, que todos sabemos que é um estadio muito difícil de pontuar. Passou os oitavos de final da UCL, foi subindo na classificação, de sexto para segundo, e foi aproveitando os deslizes do Sporting, que deixou escapar uma vantagem de 7 pontos para 1 ponto até o jogo chave.

atletico-de-madrid-1-x-2-benfica-champions-2015-16.png

 

5 de marco de 2016. O jogo do campeonato. O tudo ou nada para Sporting e Benfica, os dois primeiros. Sporting em vantagem, em casa, com mais um ponto e com vantagem clara no confronto direto. Eu mesmo esperava que o Sporting ganhasse, mas o Benfica, para minha admiração, dominou por completo a primeira etapa e chegou ao intervalo a ganhar por 1 a 0. No segundo tempo defendeu muito bem a sua vantagem e, assim, tudo mudava. A equipe que outrora estava a 7 pontos e era “bôbo da corte” estava agora na frente, com mais dois pontos.

mw-768

A partir daí, o futebol passou a ser jogado, muito para alem das 4 linhas. Tudo era contestado. Os estados físicos das equipes, as nomeações dos árbitros, as decisões da liga, decisões dos tribunais de desporto, tudo era contestado. O futebol português sofreu algo que nunca tinha visto. Parecia que já nem importavam os gols, só importava ver se as vitórias de Sporting ou Benfica tinham tido algum lance duvidoso que o adversário pudesse contestar.

Apesar de tudo, o Benfica foi sempre a crescer. Alcançou 12 vitórias seguidas e acabou por vencer o campeonato mais disputado das últimas décadas. Uma lição de trabalho árduo, não como o Leicester, obviamente, mas sobretudo de que por vezes as críticas podem ser o melhor mecanismo de recuperação. Não há nada melhor que provarmos aos nossos críticos que estão errados e foi isso que o meu Benfica fez, ao passar de sexto para primeiro, e de primeiro para tricampeão e com 35 títulos de campeão nacional. Parabéns ao Rui Vitória, porque soube afastar-se das críticas e provar para aqueles que o queriam fora do clube, que ele é excelente e que tem muita qualidade. E sobretudo parabéns aos torcedores, que em todos os jogos em casa ultrapassavam os 55 mil espectadores.

portugal_soccer_amar.jpg

Viva o Benfica! Viva o tricampeão!

Por: João Pereira

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta