Boca e Cruzeiro estrelando: Os Trapalhões e suas peripécias Abilísticas

Há mais de um ano, o Cruzeiro anunciava a contratação do, então salvador da pátria, atacante Ramón Abila. Um centroavante que havia encantado na Argentina, marcando gols de todas as formas imagináveis (nem sempre). De perna direita, esquerda, de cabeça, canela, peito, voleio, enfim, Wanchope tinha um repertório vasto de tentos anotados e no dia 22 de junho de 2016 passou a vestir azul.

Thiago Scuro foi responsável pela contratação do Argentino (Reprodução/Twitter)

Em meio a euforia da contratação, um detalhe passou despercebido: as cifras e o modo em que a negociação ocorreu. Obra do grande gestor moderno, Thiago Scuro, o contrato foi firmado após a raposa adquirir 50% dos direitos econômicos do jogador. Em algumas parcelas, o Cruzeiro desembolsaria no total, 4 milhões de dólares para contar com o matador. Até aí, tudo bem.

Gols pra lá, gols pra cá, mais gols e opa, cobrança? No final de 2016, o Huracan, ex-clube de Ábila, notificou publicamente a equipe mineira a respeito de uma parcela atrasada do pagamento do jogador, no valor de 1,5 milhões de dólares. O Cruzeiro reconheceu a dívida, mas não pagou e o presidente do clube, Dr. Gilvan, chegou a falar de forma oficial “que faria raiva nos argentinos e pagaria quando quisesse”. A FIFA chegou a ser acionada no caso e a situação do jogador começou a se desgastar.

O treinador Mago Menezes, mesmo com desempenho absurdo do argentino, não o utilizou como deveria no inicio da temporada de 2017 e com isso, Abila levou a sua insatisfação com a falta de oportunidades a diretoria. Chegamos ao capítulo final da história, que por sua vez, parece na verdade o primeiro capítulo de uma nova trilogia.

Muito prestigiado no país do tango, Wanchope despertou interesse do Boca Juniors, que havia o disputado com o próprio Cruzeiro um ano antes. Buscando se livrar da dívida criada e da obrigação de adquirir os outros 50% dos direitos do jogador no final de 2017 por mais 4 milhões de dólares, os mineiros cederam. Abila vestiria a camisa Xeneize e em contrapartida, o Boca assumiria a dívida, enviaria uma compensação financeira e um jovem da sua base por empréstimo. Messidoro, de apenas 20 anos, seria o nome emprestado. O garoto, inclusive, já esteve em BH e assinou com a equipe celeste por 18 meses.

Messidoro já é oficialmente jogador do Cruzeiro. (Reprodução/Instagram)

Cartas de despedidas, abraços e choro na Toca da Raposa. Abila estava partindo para Argentina. Enquanto isso, em Buenos Aires se noticiava que o Boca gostaria de repassar o jogador ao Huracan, por empréstimo, até o final deste ano. Murmurinhos para todos os lados, até que o próprio jogador deu um basta nisso e não aceitou jogar na equipe que lhe projetou continentalmente. Dificuldades a vista.

Além de tudo, se comentava que o Globo queria cobrar do Boca Juniors, integralmente, os valores tanto da dívida cruzeirense, quanto dos 50% restantes dos direitos econômicos de Abila, que deveriam por obrigação ser adquiridos pelo Cruzeiro em Dezembro. E agora? Uma confusão total está armada.

Los azules já disseram que nessas condições não pretendem contar com Wanchope e com isso, o jogador voltaria a Minas Gerais. Só que há um problema, Messidoro, jogador envolvido na negociação já está com o contrato assinado, portanto, não poderia retornar a Argentina.

Não se sabe o que causou tal confusão: se o Cruzeiro “esqueceu” de avisar ao Boca que ele seria obrigado a comprar os direitos restantes do jogador, ou se o Boca não se atentou a essa possibilidade, ou se simplesmente o Huracan está criando a situação por simples e pura vontade. Agora basta esperar para saber onde Ramón Abila jogará e afinal, quem ficará com a bomba que é a tal divida, causadora inicial de toda a situação.

 

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