Com sangue latino e italiano, Zenit busca fazer a Rússia assustar de novo na Europa League

Na década de 2000, o mercado russo passou a ser um dos principais destinos de jogadores sul-americanos. Cifras milionárias, sedução pela mordomia contrapostos a dificuldade de adaptação, frio intenso e a possibilidade de sumir dos radares de grandes clubes e da seleção, definem o que é jogar na Rússia.

Em 2017, o Zenit está novamente buscando o sangue latino pra reforçar sua equipe e trazendo nomes de peso da América do Sul para o elenco, com o objetivo de repetir 2007/08 e colocar o país de volta no mapa do futebol europeu, chegando forte na UEFA Europa League. Mas qual deve ser a fórmula para transformar a qualidade no sucesso?

Arshavin, estrela da equipe, carregando taça da Copa da UEFA 07/08 (Reprodução/UEFA)

A primeira arma do Zenit para buscar o sucesso continental está na manutenção do elenco da última temporada. Reforçado na janela de janeiro, com o volante brasileiro Hernani, ex-Atlético-PR e o zagueiro Ivanovic, ex-Chelsea, a equipe russa deu trabalho na última UEFA Europa League. Com uma proposta de jogo de movimentação, Giuliano, o brasileiro que é cara comum nas convocações de Tite, foi o principal jogador do time na temporada, se destacando marcando vários gols.

Após saída de Hulk, Giuliano continuou a escrita de destaques brasileiros no Zenit (Reprodução/ESPN FC)

A segunda arma está na mudança de comando técnico, com a chegada do treinador italiano Roberto Mancini. Vencedor de uma Premier League pelo Manchester City, além de acumular um bom trabalho na Inter de Milão entre 2004-08. Apesar do currículo, pelo seu 4-4-2 defasado, nunca foi unanimidade pelo mundo, mas o Zenit deve ser sua sobrevida. Com jogadores de força física no meio e atacantes de velocidade, o jogo, taxado como medíocre na Inglaterra, de Mancini deve funcionar muito bem na Rússia.

Em 2012, Mancini levou os Citizens ao título da Premier League (Reprodução/Mirror)

Diante da possibilidade de enfrentar equipes com elencos muito mais qualificados em torneios continentais, com jogadores motivados a se doar pelo sistema, a saída em velocidade, prendendo o meio-campo por muitas vezes, poderá fazer efeito. Caso seja transformado em um ponto forte da equipe, todos sabem que um jogo reativo bem feito pode levar ao sucesso e isso é uma carta na manga dos russos.

A terceira e maior arma é a janela de Julho. Com dois jogadores já anunciados e um por detalhes de fechar, o Zenit vai utilizar a fórmula Shakthar Donetsk para tentar dar o que falar em 17/18: juntar jogadores locais à jogadores sul-americanos. No ritmo do tango e samba, os russos buscaram nomes jovens e promissores, para qualificar o elenco.

O primeiro nome anunciado nessa janela de transferências foi o do volante de 23 anos, Leandro Paredes, ex-Roma. Jogador raçudo, que marca muito bem, o argentino também possui muita qualidade de passe e sem dúvidas foi um acerto da cúpula azul-turquesa. Cria do Boca Juniors, chegou a Itália logo aos 20 anos de idade, ao ser contratado pelo Chievo e repassado imediatamente à Roma. Recentemente, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Argentina e deve ser o destaque do meio-campo, ao lado de Javi García.

Paredes fez sua estreia na seleção principal contra Singapura (Reprodução/AFA)

Continuando no Tango, o segundo e talvez, principal reforço do Zenit na temporada vem direto do Campeonato Local. Sebastián Driussi, joia do River Plate de apenas 21 anos, chega a Rússia após o clube pagar um total de £17m pelo seu passe. Um atacante muito rápido, com características semelhantes a de Paulo Dybala (e olha que não é exagero compará-los), Driussi foi um dos artilheiros dos milionários no último Argentinão e era o melhor jogador da equipe. A tendência é que o jovem comece a ser convocado em breve e não permaneça por mais de duas temporadas no mercado alternativo, apesar de sua multa estar fixada em 80 milhões de Euros. Até lá, a torcida poderá tomar bastante drinks de Vodka para comemorar os seus gols.

Driussi era tratado como ouro na Argentina e chega como esperança do Zenit
(Reprodução/Futebol Latino)

Chegando ao Brasil, a terceira contratação do clube é São-Paulina. O zagueiro Rodrigo Caio, cria de Cotia, deve ser anunciado em breve e foi alternativa a negativa de Manolas, também da Roma. Exemplo de liderança, o jogador é alto e possui uma ótima noção de posicionamento, possuindo ainda a virtude mais necessária para um beque na Europa: capacidade de passe e versatilidade, podendo atuar tranquilamente em uma faixa mais avançada do campo, sendo capaz de iniciar as jogadas facilitando a transição defesa-ataque. Campeão olímpico, o jovem de 23 anos é badalado no Velho Continente e uma boa temporada no Zenit deve ser usada de trampolim para chegar bem em uma das principais ligas.

Rodrigo Caio já conquistou grife na Europa e foi Campeão Olímpico em 2016 (Reprodução/saopaulofc.net)

Por último, mas fugindo desses grandes nomes, antes do anúncio de Mancini, Noboa, meia equatoriano também seu juntou a equipe russa. Com boa qualidade de passe, o ex-Rostov deve ser um dos pontos de equilíbrio no quesito idade do elenco, já que possui 33 anos e experiência de sobra no mundo do futebol. Obviamente, não chega para assumir a titularidade.

No geral, o Zenit chega bem estruturado para essa temporada e contando ainda com o fator casa pode ser uma “zebra” positiva nos torneios continentais europeus. Com uma boa gestão e uma ideia de futebol que pode surpreender devido as peças, ao lado do Spartak fará de tudo para levar a Rússia ao topo novamente, como poucos já conseguiram. Esperemos para ver até onde o trabalho de Roberto Mancini pode levá-los.

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