Conheça o Dep. Capiatá, a modesta equipe paraguaia, adversária do Atlético-PR na Libertadores

Após dar o primeiro passo rumo à fase de grupos da Libertadores eliminando a tradicional equipe do Millonarios, analisada por nós anteriormente, o furacão agora vai ao Paraguai. Os colombianos, que apesar de darem trabalho aos brasileiros, não foram páreos para a força do CAP na Arena da Baixada e para a grande atuação de Weverton, tanto no tempo normal, como nos pênaltis na partida de volta.

Porém agora o desafio do Atlético-PR é completamente diferente: enfrenta o desconhecido time do Deportivo Capiatá, fundado recentemente e que já aprontou contra tradicionais clubes do continente, mesmo com tão pouco tempo de existência.

O Club Deportivo Capiatá foi fundado em 2008, sendo o time mais novo da elite paraguaia. A equipe foi formada por uma seleção dos melhores jogadores da cidade de Capiatá. Após o vice-campeonato em um torneio, o selecionado de jogadores ganhou uma vaga na terceira divisão nacional e o clube foi fundado de fato.

Em 2013, “El Escobero” disputava o Campeonato Paraguaio e em seu primeiro ano, já conquistava uma vaga para a Sul-Americana, onde passou por Danúbio e Caracas, só sendo eliminado pelo Boca Juniors, mesmo ganhando na Bombonera.

Jogadores do Capiatá comemoram vitória na La Bombonera

O Estádio Lic. Erico Galeano Segovia é a casa do Deportivo Capiatá. A maior parte da torcida local se encontra atrás dos gols e segundo dados da CONMEBOL, em ambos os jogos teve um público total de 12 mil pessoas, número bastante expressivo levando em consideração uma cidade de aproximadamente 230 mil habitantes e um estádio com capacidade para 15 mil pessoas. No Clausura 2016, obteve a 5ª melhor média de público geral e a maior entre os times de sua região.

Torcida do Capiatá é apaixonada, apesar do clube ter pouca idade

“El Depor”, como também é conhecido, terminou o Clausura em 4 lugar com 37 pontos, 11 a menos que o campeão Guarani, porém com impressionantes 6 vitórias como visitante, algo que pesa muito em uma competição de mata-mata. A vaga para a Segunda Fase da CONMEBOL Libertadores 2017 veio com a conquista da 2ª melhor campanha na soma do torneio Apertura e Clausura em 2016, atrás do Olimpia, que também enfrenta um brasileiro nessa fase.

Apesar de ter feito boa temporada ano passado e ter conquistado a classificação , de certa forma heroica, revertendo uma derrota de 3 a 1 dentro de casa, com um 3 a 0 na cancha inimiga, esta temporada do Capiatá ainda está no início. Em 2017, são três vitórias, um empate e duas derrotas, sendo essas para Libertad (poupando jogadores para o duelo de quarta-feira) e Universitario-PER.

Jogadores comemorando a primeira vitória da equipe na história pela Libertadores

A forma que a equipe joga não deve assustar o rubro-negro paranaense, mas um cuidado com a capacidade que os paraguaios já demonstraram ter, de reverter resultados fora de casa deve ser considerado. Um bom jogo no Paraguai já credencia o Atlético à uma classificação tranquila.

O jogador que mais chama atenção na modesta equipe paraguaia é o centroavante Roberto Gamarra, um veterano de 35 anos que possui muito faro de gol. O delantero é o artilheiro da atual edição da Libertadores, ao lado de Blanco e Matías Alonso, com 3 gols em 4 jogos disputados. Conhecido por ter sido um multi-campeão no Libertad, passou por um longo período de má fase, até que foi contratado pelo Capiatá para solução do problema no ataque.

Roberto Gamarra disputando bola com Banega, quando atuava pelo Libertad

No ano de 2016, o jogador marcou 19 gols em 36 jogos, sendo o artilheiro do time na temporada. Seu repertório de gols é vasto, mas pela sua altura e posicionamento se destaca muito na bola área, fazendo muitos gols de cabeça. Devido a isso, Thiago Heleno e Paulo André serão um ponto vital no jogo do Atlético-PR, já que a altura dos dois os credenciam para neutralizar a jogada que é a maior válvula de escape do adversário.

Veja o doblete de Gamarra na partida de volta do Capiatá contra o Universitario-PER:

O treinador do Dep. Capiatá é um paraguaio velho conhecido dos brasileiros, Diego Gavilán de apenas 36 anos, atuou por Internacional, Grêmio, Portuguesa e Flamengo como volante. Por conta de uma lesão no joelho, foi obrigado a se aposentar aos 31 anos e passou a estudar para se tornar Diretor Técnico no Paraguai. Após a conclusão de diversos cursos, Pampero, como é chamado, assumiu a divisão de bases do Cerro Porteño, antes de dirigir o Olimpia de Itá, da segunda divisão. Com o bom trabalho foi o escolhido para montar a equipe que irá disputar pela primeira vez uma Libertadores.

Pampero em ação pelo Grêmio contra o Boca na La Bombonera

O jovem técnico faz parte da nova geração de treinadores do futebol porteño, se juntando a alguns jogadores aposentados, como Chiqui Arce e Pedro Sarabia. Ele mesmo diz se inspirar em dois brasileiros que mudaram a forma do, então lateral, de enxergar futebol. Muricy Ramalho, que o deslocou para a volância pela primeira vez no Internacional e Mano Menezes, que o treinou no Grêmio, abriram o olho do paraguaio para diferentes formas de táticas do futebol.

Gavilán ao lado de Muricy

Suas características de jogo, como se espera de quem se inspira em Muricy e Mano, basicamente prezam pela solidez defensiva. Apesar de ter sofrido muitos gols no confronto contra o Universitario-PER, o meio-campo povoado com uma defesa bem postada é o que busca o treinador. A bola parada também é uma arma muito utilizada por ele, com diversas jogadas ensaiadas e com um “Tanque” como camisa 9, sempre posicionado para receber cruzamentos.

O agora treinador comandando treino pelo Capiatá

Como já foi dito, esse tipo de jogo privilegia a equipe de Paulo Autuori, que possui dois bons zagueiros na jogada aérea. O confronto tem tudo para ser interessante pelo embate dos dois treinadores, de escolas parecidas mas gerações totalmente diferentes.


Os paranaenses têm tudo para classificar, pela força da camisa e pela qualidade, claramente superior a da equipe paraguaia. Mas para alcançar a fase de grupos, o furacão deve tomar cuidado, já que os adversários são traiçoeiros e não tem nada a perder. As partidas deverão ser de qualidade e ótimas para o público. Esperamos contar com mais um brasileiro na fase final do torneio continental.

Colaborou: Yuri Laurindo

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Matheus Moura

Estudante de Jornalismo, fanático por Futebol e apaixonado pelo Corinthians.