Da magia da letra de Alex até a improvável cabeçada de Aristizábal: o título da Copa do Brasil de 2003

Em 2003, o torcedor cruzeirense teve o prazer de assistir um dos melhores times da história do clube. A magia que envolvia aquele elenco era uma coisa absurda. Há 14 anos, o adversário da final da Copa do Brasil era o mesmo desse ano, o Flamengo. Aquela geração com Alex, Deivid e Aristizábal já tinha passado por Corinthians e Vasco, por exemplo, antes de ter que enfrentar o Maracanã lotado de rubro-negros.

No dia 8 de junho, os comandados de Vanderlei Luxemburgo chegaram ao Templo do Futebol com moral e sabiam que tinham plenas condições de calar os mais de 70 mil presentes no estádio. Jogamos para isso. Um jogo tenso, mas com muitas chances, a maioria sem perigo. O primeiro tempo foi marcado pela falta de pontaria, 6 finalizações pra cada lado e nenhum gol, normal pra um jogo nervoso desse porte.

A melhor chance do jogo, foi flamenguista, com Edílson passando com tranquilidade pela zaga celeste e fuzilando Gomes, porém… COLOSSAL, GIGANTESCO, ABSURDO… em uma defesaça, o goleiro cruzeirense garantiu o 0 a 0 no placar final dos primeiros 45 minutos do confronto.

No segundo tempo,  o jogo mudou de cara. O Cruzeiro de 2003 começou a mostrar o porquê seria, mais tarde, considerado um dos maiores da história do futebol brasileiro. Aristizábal desperdiçou chances, isso tudo, em meio ao barulho de milhares de cornetas, distribuídas a fim de tentar desestabilizar a raposa. Ingênuos… Alex não é desestabilizado por nada. Aos 3o minutos, ele provou isso.

Um dos maiores lances da história do Cruzeiro Esporte Clube, a imagem que marca uma geração, um gol de cinema, uma letra memorável. Deivid tabelou com Aristizábal direita, cruzou rasteiro para o carequinha e uma lenda nasceu. “Alex na área, ele toca por baixo, ALEX, GOOOOOOOOL!”, narrou Galvão Bueno, triste e decepcionado. O Maracanã estava calado.

O Flamengo tentou pressionar a partir daí e de novo, mais uma vez, olha só, outra… várias vezes Gomes – e a trave também -, segurou a onda. Aos 48 minutos, quando o roteiro parecia caminhar para um final perfeito, a bola sobrou pra Fernando Baiano. Empate rubro-negro, então o Cruzeiro precisaria de uma vitória no Mineirão, três dias depois, para se sagrar campeão nacional.

Para a volta, o Gigantes da Pampulha lotou: quase 80 mil pagantes fizeram o concreto pular. E de novo, Alex não estava pra brincadeira. Logo no primeiro lance do jogo, o massacre se desenhou. O camisa 10 bateu falta na área, Deivid subiu muito alto e fez o estádio explodir: 1 a 0 logo aos 2 minutos. O desespero, então, tomou conta da equipe do Flamengo. Tentaram, tentaram, tentaram, mas não conseguiam chegar bem ao ataque, já que Luxa tinha armado um meio-campo muito bem posicionado, que evitava qualquer avanço muito perigoso.

Aos 16, o pé de Alex fez mágica, de novo. Outra cobrança de falta na área, na cabeça de Aristizábal, opa, não tanto na cabeça assim. O colombiano tirou uma cabeçada da cartola, se contorceu todo e como se tentasse uma bicicleta com o crânio (meu deus, é tão indescritível que chega a ser bizarro!), marcou um golaço. Dois a zero, acabou! Acabou! Parecia ter mesmo acabado.

O Flamengo queria que tivesse acabado. Outro cruzamento da canhota de ouro de Alex, outra cabeçada certeira e Luisão decretou o 3 a 0. No primeiro tempo! Que massacre, que noite, que história! No segundo tempo, Alex tentou várias vezes, mas a noite não era propícia para ele anotar seu tento. O Flamengo até diminuiu com Fernando Baiano, mas quem liga. Campeões, de novo, pela quarta vez! Em cima de você Edílson, que falou muito, que deu bom dia a cavalo! TETRACAMPEÕES DA COPA!

Agora, 14 anos depois, o adversário é o mesmo, a genialidade de um canhoto nos credencia de novo para enfrentar um Maracanã lotado. Que a graça de Alex Talento caia sobre Thiago Neves, que Fábio tenha uma noite de Gomes, que Murilo suba alto como Luisão subiu… que tudo isso termine novamente em muita cerveja e comemoração na noite belo-horizontina.

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