Em busca da Libertadores, Cruzeiro deve abandonar mediocridade para superar o Grêmio

E aqui vamos nós novamente. Um pouco menos de um ano após um vexame na semifinal da Copa do Brasil de 2016, o Cruzeiro enfrenta novamente o Grêmio, de Renato Portaluppi, pela semifinal do torneio e de lá pra cá, quase nada mudou. Lembrando por alto o que aconteceu naquela oportunidade: Mineirão lotado, recorde de público do ano no estádio, confiança em alta, time em (suposta) crescente e um tombo gigantesco.

Naquele fatídico 26 de outubro, a marcação baixa, característica de Mano Menezes, teve destaque em uma noite que o time da casa deveria buscar acumular alguma vantagem para a volta… deveria. Erros na escalação, com um tal de Denilson preparado pra acabar com a vida de qualquer cardíaco por aí, erros no posicionamento e erros de postura, levaram a equipe celeste à sofrer um baile de Luan, garantindo a vitória por 2 a 0 para os gremistas. Na volta, com o treinador gaúcho, que só sabe reclamar de arbitragem, reconhecendo os erros e tentando mudar a equipe, nada adiantou: o 0 a 0 classificou o tricolor dos pampas.

Também pela fase semifinal, no ano passado, Luan marcou e eliminou o Cruzeiro no Mineirão (Foto: Lucas Uebel)

Praticamente 10 meses de trabalho se passaram, reforços chegaram, teimosias continuaram, a mentalidade fracassada permaneceu e a dificuldade de acreditar em um resultado diferente do ocorrido em 2016 passou a ser gigantesca. A equipe de Money Chineses (apelido popular criado para o mercenário obcecado pelo 4-2-3-1) terá que se provar superior a tudo que apresentou até aqui na temporada e deverá superar a inconstância para conseguir vencer os que apresentam o melhor futebol do país.

Os problemas do Cruzeiro de 2017 são perceptíveis mas a passada de pano impressiona. Se escuta muito de um lado das arquibancadas coisas do tipo: “Léo não dá mais, olha a lentidão desse zagueiro”, ou “Não recua pelo amor de Deus”, após a equipe marcar um gol e até um “Eu não aguento mais Rafael Sóbis, alguém tira esse cara do Cruzeiro, por favor”, mas por outro lado se escuta: “O Léo é experiente e cruzeirense, deve ter sequência. O problema era o Caicedo”, ou “Mano Menezes é treinador de seleção e a gente tem camisa, vamos deixar ele encontrar o encaixe da equipe”, chegando até em “Nosso time é muito bom, queria ver se vocês torcessem para as frangas que estão fracassando esse ano” e nem contam com o fato de estarmos apenas a 1 ponto na frente de nossos rivais no Brasileirão e termos perdido o Campeonato Mineiro de forma ridícula no Horto.

Nós jogamos em bem em 2017? Sim, em alguns momentos temos lampejos de uma equipe de futebol. Nós temos os nossos momentos de Cruzeiro Esporte Clube, nós temos o nosso momento de “um time com Thiago Neves, Robinho, Alisson e Rafael Sobis”. Sim, temos, mas somente lampejos. O que se vê em campo se resume a desorganização, dificuldade defensiva, principalmente se tratando de bolas alçadas na área (o que se repete no ataque) e a jogadas individuais. Isso resume a nossa sina para essa semifinal: nos falta um time bem postado, que possa vencer no futebol um Grêmio que impressiona o país. Nos falta mais que qualidade técnica, nos falta tática e principalmente, mais capricho e menos displicência com a bola.

Em um dos melhores momentos do Cruzeiro no ano, Thiago Neves comandou a equipe em um primeiro tempo perfeito no Allianz Parque (Foto: Gazeta Press)

Nos últimos jogos, pode-se perceber uma mínima evolução na equipe, que peca muito nas finalizações para definir o jogo. Os 10 primeiros minutos da partida com o Botafogo demonstram isso e alguns minutos do jogo contra o São Paulo, também. O Cruzeiro tem condições de dominar qualquer equipe do Brasil, mas não o faz por mais de 25 minutos em qualquer partida e isso se repete desde 2016, não há evolução.

Os comandados, do sem comando, Mano Menezes, devem fazer o que não fizeram durante o ano para nos levar novamente a uma final de Copa do Brasil: serem plenos durante os 180 minutos da decisão, buscar o controle do jogo a qualquer custo, sem abrir mão de atacar ou defender, quando necessário. Demonstrar culhão e organização, o que já se mostrou ser praticamente impossível. Quem sabe dessa vez seja diferente, mas cá entre nós, espere sentado, porque será mais fácil ganhar o prêmio da Mega-Sena do que assistir um Cruzeiro demonstrando essas características de futebol durante o confronto.

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