Erros crassos transformaram o sonho em um pesadelo

Após terminar 2016 de uma maneira vitoriosa e cheio de bons planos para o ano seguinte, o Palmeiras viu um ano que prometia glorias terminar um fracasso, minando planejamento e todas as expectativas criadas por nós torcedores.

Apesar da saída do técnico do Enea, um treinador promissor que vinha de bons trabalhos em equipes de menor expressão foi contratado na expectativa de manter o time no topo e o mais importante: conquistar o bi da América e uma sonhada disputa no Mundial de Clubes, cuja última participação foi em 1999.

A meta era vencer novamente a Libertadores, assim como em 1999. (Foto: Arquivo / Agência Estado)

O começo da era Eduardo Baptista foi lotado de pressão. Primeiro por essa obsessão chamada Libertadores e a segunda era pelo elenco fortíssimo e, dada as devidas proporções, galático para os moldes nacionais. Nomes de peso como Felipe Melo, Guerra e Borja eram as grandes esperanças para um ano que prometia ser brilhante. Pelo menos no papel era, e muito. A campanha no Paulistão foi bem satisfatória, a equipe terminou a fase de grupos com a melhor campanha da competição e com o segundo melhor ataque e a melhor defesa (sim, pasmem, a melhor defesa era a nossa). Na Libertadores o time era líder de seu grupo mas não jogava bem e vencia seus jogos na base da raça e superação, dois triunfos depois dos 50 minutos da etapa final jogando dentro de casa contra Jorge Wilstermann e Peñarol e o empate na estreia em Tucumán.

Borja foi a contratação mais cara de nossa história, e era a esperança de gols nessa temporada. (Foto: Djalma Vassão/GazetaPress)

O fim da linha para Eduardo Baptista começou a se aproximar após as semifinais do Paulistão. Havia acontecido a primeira eliminação do ano e ela veio de maneira vexatória. Depois de vários episódios de “rachas no elenco”, situações de vestiário que foram vazadas, a batata do até então treinador começou a assar após a derrota por 3×0 diante da Macaca em Campinas. A pressão que já era enorme, quintuplicou.

Depois da eliminação no Paulista, só restava a Libertadores até a estreia no Brasileiro. E foi lá que talvez passamos a nossa maior alegria no ano, aquela virada com v maiúsculo diante do Peñarol em uma batalha que, além dos três pontos, teve tapa na cara de uruguaio e um grupo que se uniu perante a uma covarde emboscada. E foi lá também que talvez Eduardo Baptista teve seu melhor momento, para nós torcedores é claro. Aquela coletiva maravilhosa que o comandante chutou o pau da barraca e fez a nossa noite do dia 26 de abril terminar melhor ainda. Apesar de tudo isso, realmente a situação inesperadamente foi insustentável e calhou na demissão do treinador, que para mim, foi injusta. No dia 3 de maio perdemos para o Jorge Wilstermann em uma partida deplorável da nossa equipe em solo boliviano. Na volta para o Brasil, os líderes do elenco foram contatados pela diretoria e receberam a notícia de que Eduardo Baptista havia sido demitido. Conclusão: já que fizeram uma mudança radical de ideologia e forma de treinamento, acharam que 5 meses era o suficiente? O erro foi contratar, apesar do Eduardo ser um cara que se identificou muito e sentiu o que é o Palmeiras.

Era Eduardo Baptista se encerrava de maneira precoce e na base da pressão por resultados imediatos que infelizmente não vieram. (Foto: Daniel Vorley/Agif/Folhapress)

Dois dias após a demissão do antigo treinador, Cuca foi anunciado novamente como o comandante do time na esperança de seguir o projeto Libertadores e levar o time ao deca brasileiro e ao tetra da Copa do Brasil. Era nítido que uma mudança no meio da temporada e sem semanas livres de trabalho não dariam certo, mas por ser o Cuca, nos deixamos levar pela empolgação e pela lembrança recente do título nacional. Dia 14 de maio foi a estreia do “novo-velho” professor diante do Vasco na nossa casa pela primeira rodada do Brasileirão. A goleada de 4×0 e pasmem, com dois gols do Borja, algo que aconteceu muito pouco pela expectativa criada no camisa 9. Isso gerou expectativas, sonhos, e todos imaginavam “agora vai!”, eu inclusive fui um desses.

Os dias passaram, as péssimas atuações vieram, os maus resultados se acumularam e o trabalho de Cuca chegou ao questionamento e a pressão que já era enorme desde o início de 2017 virou uma gigante bola de neve. Campeonato Brasileiro ficou muito distante, a equipe oscilava muito, e nosso rival fez um turno espetacular. Uma chance de título a menos. Restaram os mata-matas e o primeiro desafio era contra um Cruzeiro que fazia das quartas de final do campeonato os 180 minutos de sua vida na temporada. Na ida, após um primeiro tempo vexatório com uma atuação pífia, ridícula, horrorosa e lastimável nós assistimos nosso time ir pro intervalo levando uma pancada de 0x3 dentro do nosso caldeirão. Segundo tempo começou e finalmente nossa equipe entrou em campo, e na base da loucura e do abafa vimos o jogo empatar em 13 minutos, porém o empate com 3 gols ainda era péssimo.

O Brasileirão era terceiro plano (coisa que jamais deveria ter acontecido) e a equipe levava com a barriga. A ida das oitavas da Libertadores chegou, e com ela uma notícia que é MUITO pior que qualquer derrota ou eliminação em qualquer campeonato: o filho mais novo de Guerra, de 3 anos de idade, sofreu um acidente doméstico no dia do aniversário de sua mãe, na casa da família. Nosso articulador voltou as pressas ao Brasil e toda aquela situação, querendo ou não, abalou a todos. A hora do jogo chegou, e a equipe fez um primeiro tempo melhor que os mandantes e teve chances de marcar. Mas como não adianta jogar bem só a primeira metade, os equatorianos cresceram na etapa complementar e o castigo veio aos 47 minutos com um gol ridículo em que desvios sucessivos no chute de Álvez mataram Fernando Prass.

O retorno da era Cuca colecionava problemas na armação do time e risco de eliminações nas principais competições disputadas pelo Palmeiras no ano. (Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras)

Quarta-feira 26 de julho era o grande dia, a volta da Copa do Brasil. O time ficou um bom tempo fora de São Paulo e vinha de resultados positivos no Brasileirão, isso nos fez acreditar que era possível a classificação. O duelo começou e nosso rival estava melhor no jogo e nossa equipe não demonstrava sinais de reação. Chegou o segundo tempo, e nada. Mas até que Keno contou com a sorte e seu chute desviado enganou Fábio e estávamos em vantagem. Mas como o destino é fatal, após Egídio ter a chance de matar o jogo e desperdiçá-la, Diogo Barbosa empatou o jogo em um lance que teve uma sucessão de erros e que custou a vaga.

Dias depois, mais uma bomba se estourava na academia de futebol. O volante Felipe Melo “do nada” fora afastado do time um dia antes do duelo contra o Avaí. Após o triunfo, Cuca justificou o afastamento com questões táticas e nem expôs situações de vestiário, mas segunda-feira jogaram tudo no ventilador. Um áudio do atleta foi vazado e nele o jogador ofendeu Cuca, e disse que não jogaria mais no Palmeiras com o atual comandante e citava até outros clubes que haviam demonstrado interesse. A justificativa dada foi que ele havia tomado algumas champanhes além da conta e acabou exagerando e nem lembrou do que fez. Sim, vamos fingir que é verdade. Uma irresponsabilidade causou o fim da linha do volante que se identificou com a nossa camisa e falou mais do que jogou futebol.

O falastrão Felipe Melo encerrou sua passagem no Palmeiras com papas na língua e raça de sobra, mas com uma enorme falta de responsabilidade. (Foto: Estadão Conteúdo)

O jogo da vida chegou, dia 9 de agosto, Allianz Parque pulsando, uma linda festa de nossa torcida, um ambiente revigorado e a expectativa de reverter o 0x1 da ida era muito possível. Um primeiro tempo péssimo e com um time mal escalado custou o empate e apenas 45 minutos para fazer dois gols. Mas aí, como a noite previa ser especial, nosso profeta entrou pra decidir. Dudu recebeu uma linda bola do nosso “Moi10”, clareou e deixou nosso meia livre que deixou o adversário na saudade e nos colocou em vantagem. Nosso protagonista foi o homem que fez sua estreia em uma Libertadores e estava 5 meses sem jogar após uma cirurgia no joelho. Era roteiro de conto de fadas, de livro, de mais um dia épico em nossa história, mas nem tudo são flores. Havíamos perdido nosso xerifão Yerry Mina, que fraturou seu dedo do pé no primeiro tempo, nosso guerreiro e capitão Dudu com uma lesão na coxa com ambos indo aos prantos e isso nos machucou bastante. O tempo normal terminou e fomos as penalidades, e ali nosso ano de 2017 foi para o limbo. Bruno Henrique, Deyverson e Egídio foram crucificados na disputa, o segundo por pedir pra não bater e o primeiro e o terceiro por desperdiçarem suas cobranças.

Ali eu, você, seu amiga(o)/namorada(o)/parente palestrino desabamos em lágrimas que misturavam ódio e uma tristeza gigantesca. Era o fim da linha e de as chances de títulos no ano de 2017 (considerando que o Brasileirão é quase impossível). Algo que jamais imaginávamos se voltarmos para o início deste mesmo ano, em que criamos expectativas, projeções e sonhos, que foram adiados por algo que querendo ou não era esperado.

Nosso camisa 10 voltou pronto para fazer história, mas nem todos bons enredos tem o final feliz. Era o fim de nossa trajetória precoce na Libertadores 2017 após sairmos derrotados nas penalidades. (Foto: Reproduçã0/Facebook)

Conclusão

Tudo de ruim que aconteceu, era de se esperar sim. Por mudanças, erros no planejamento traçado e principalmente no ambiente criado por todos, sem exceção. A diretoria colheu aquilo que plantou e infelizmente nós pagamos por isso. Deixando claro que todo o investimento foi feito para nosso Palmeiras ser vencedor a longo prazo, a trajetória não acaba por aqui. Nossa equipe não tem como obrigação ganhar tudo que disputa, análise que desrespeita as demais equipes, e sim brigar la em cima. O título é consequência de um trabalho bem executado e um ambiente leve. Se tudo der certo, iremos a Libertadores em 2018 e se houver manutenção do Cuca e trocas pontuais no elenco, o próximo ano será diferente, e quem sabe, poderemos entrar mais fortes nas competições do ano que vem!

Avanti, Palestra!

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