Giuliano e Rússia: a história de amor explicável

O meia brasileiro Giuliano, tem chamado atenção na Rússia por suas atuações muito acima da média, principalmente na edição 16/17 da UEFA Europa League. Sendo convocado por Tite desde a chegada na Europa, diversos questionamentos em relação ao rendimento do jogador no Grêmio estão sendo levantados. Por que Giuliano não rendia tanto no tricolor gaúcho quanto rende no Zenit? A explicação é puramente tática.

Basicamente, na equipe de Roger Machado, o jogador que, em tese, tem qualidade para jogar mais próximo do atacante, já que possui grandes virtudes no drible e no passe curto, possibilitando tabelinhas e jogadas em um curto espaço livre, atuava como terceiro homem de meio-campo. Esse posicionamento, conhecido popularmente como “vai e volta” prendia Giuliano a necessidade de marcação muitas vezes, priorizando somente a qualidade de passe longo do jogador, já que ele ocupava uma faixa mais próxima a linha divisória do campo.

Na partida entre Palmeiras e Grêmio, é perceptível pelo posicionamento de Giuliano a necessidade que o meia tinha de ocupar um espaço na defesa. (Footstats)

O jogador sempre se destacou, apesar disso, mas a sua presença no ataque não era tão efetiva, consequentemente, o drible curto e até mesmo, finalização de curta distância não apareciam tanto. Ao chegar na Rússia, o brasileiro passou a ser utilizado de forma diferente da que atuava com a camisa gremista. A aproximação com o centroavante passou a ser mais comum e com isso a mentalidade de killer passou a aparecer mais e Giuliano chegou a jogar inclusive como Falso 9.

As estatísticas não mentem, a partir daí os números do jogador se potencializaram de uma forma absurda. Tendo anotado nos 15 jogos em que atuou com a camisa do Grêmio no Brasileirão de 2016, apenas 4 gols e 2 assistências, hoje no Zenit, em somente 21 partidas ele já possuí 15 gols e 9 assistências. Uma incrível participação em 24 gols em 1.938 minutos, ou seja, a cada 80 minutos de jogo na média, uma jogada que termina em bola na rede passa pelo pé de Giuliano.

No Zenit, o número de finalizações dentro da grande área aumentaram em cerca de 60% (WhoScored)

 

Giuliano (o camisa 7), tem se aproximado mais do centroavante, como na partida de hoje contra o Anderlecht. (WhoScored)

 

Com isso, o ganho em dribles certos por partida (DrB) chega a ser espetacular. (WhoScored)

Hoje (23), na partida contra o Anderlecht da Bélgica, ele anotou 2 gols e 1 assistência, sendo o herói de uma quase classificação na UEFA Europa League. Com esse rendimento, é interessante destacar que Tite pode ver em Giuliano uma boa opção, tanto para substituir Paulinho, hoje titular, ou até mesmo fazer a função de Gabriel Jesus, que é baixa por lesão para os próximos jogos das Eliminatórias. O fato é que a polivalência privilegia a qualidade do meia, o que deve tornar o seu caminho rumo a Copa do Mundo, bem fácil.

 

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