Jorge e a estreia pelo Mônaco no meio-campo: seria um Fabinho 2.0?

O lateral-esquerdo Jorge, quando estreou pelo Flamengo, logo tomou conta da posição no clube rubro-negro. A qualidade de passe e a velocidade do jogador impressionaram e o destaque no Campeonato Brasileiro de 2016 levantou o interesse de diversos clubes da Europa. Na janela de transferências de inverno, o Mônaco veio ao Brasil e resolveu apostar na joia.

Chegando na França, o jovem de apenas 20 anos, devido principalmente ao fato de ter chegado após um período de férias, teve um bom tempo para se adaptar ao clima da equipe e aos treinamentos, para finalmente fazer sua estreia. O português Leonardo Jardim, escalou Jorge como titular logo em seu primeiro jogo, na partida contra o Marseille, válida pela Copa da França.

No Brasil, a posição em que ele atuaria causou certo alvoroço, logo de cara jogaria no meio-campo, sendo utilizado de uma forma diferente do comum no Flamengo. De inicio, não era possível ter certeza da faixa do campo em que ele se apresentaria, mais aberto pela esquerda, como um meia, sem grandes obrigações defensivas, ou se atuaria como um volante, exercendo a função que Fabinho tem se apresentado muito bem.

De inicio foi facilmente perceptível que ele atuaria de forma mais aguda, sendo a válvula de escape da equipe pelo lado esquerdo. Jorge variava muito bem entre o extremo e a parte central, abrindo diversas opções de jogadas. Chegando algumas vezes a linha de fundo, o jogador esteve ainda em condição de finalização por algumas vezes.

Se posicionando muitas vezes entre o lateral adversário e o zagueiro central, ele se deslocava em função do lateral-esquerdo da sua equipe, Mendy, que obrigava o deslocamento da marcação da última linha do Marseille levando em conta seu avanço.

Como dito, em uma mesma jogada de saída de Mendy e dos outros meias da equipe, Jorge também alternava para a região central, abrindo um leque maior de opções para a equipe monegasca.

Um ponto que deve ser destacado na atuação do brasileiro, por sua vez é a obediência tática do jogador. A linha de 3 meias do Mônaco estava bem postada na tentativa de marcação sob pressão, na saída de bola do adversário. Jorge cobria bem os espaços no lado esquerdo, o que foi um dos pontos vitais para a manutenção do equilíbrio da equipe durante o tempo normal da partida.

Além disso, a velocidade do ex-flamenguista foi essencial para a recomposição, já que apesar de estar posicionado de forma mais avançada, era necessária a cobertura dos espaços. Basicamente, ele também participava de uma linha, dessa vez de 4, com 2 volantes centrais e os meias/atacantes mais abertos ajudando na volta.

O posicionamento de Jorge, logo em sua estreia, chama atenção para um ponto importante. Com a possível perda de Fabinho (o atleta agrada muito Guardiola e talvez possa chegar em Manchester), que consegue realizar tanto a função de lateral, quanto a de volante, estaria Jardim buscando opções para o baque? Talvez, deslocando aos poucos o jovem lateral-esquerdo para o meio, adaptando-o à função aos poucos, para que também assuma ambas as funções.

Quem ganha com isso não é só o Mônaco, mas também a Seleção Brasileira, que ganharia duas opções jovens, para uma variação de sistema tático importante, não para a Copa de 2018, mas para as seguintes. Junto à outros jogadores importantes que tem surgido, a variação parece que será o ponto mais forte da equipe para o desenvolvimento do próximo ciclo.


* As imagens do jogo foram retiradas do canal do YouTube VGComps

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