O clássico do desastre

No domingo (27) teremos o Superclássico Mineiro, que será o retrato da desorganização do futebol brasileiro.

Atlético e Cruzeiro é sempre um jogo que chama a atenção do Brasil inteiro, principalmente pelo fato de ultimamente ambos os times serem destaques no futebol brasileiro. Mas infelizmente, FMF, Governo de Minas Gerais e os próprios clubes conseguiram manchar o primeiro clássico de 2016.

O jogo do dia 27 pode ser marcado por grandes jogadas, golaços, intensidade, quem sabe?! Mas o que com toda certeza, já transforma esse clássico específico em marcante, é o que está ao redor dele, fora de campo e infelizmente, são somente falhas.

Desde o fechamento do Mineirão para as reformas em prol da Copa do Mundo, o clássico de tal forma já está manchado, enfraquecido. O espetáculo nunca foi o mesmo depois da adoção do sistema de torcidas únicas. A ilusão tomou conta da maioria dos torcedores após aquele espetáculo que foi a reinauguração do Gigante da Pampulha, onde 52.989 pessoas, puderam presenciar, sem grandes problemas, o que foi, até o momento, o último clássico com torcida igualmente dividida no estádio.

Depois daquela partida, Atlético no Independência e Cruzeiro no Mineirão, passaram a ter maioria dos torcedores nos jogos como mandante, como manda a lei, com 10% da carga total disponível para os vistantes. O brilho se perdeu e o Governo do Estado de Minas Gerais, que conseguiu garantir o Superclássico com duas torcidas como abertura do Mineirão, jamais interviu novamente. Um jogo do tamanho de um Atlético e Cruzeiro merece o Mineirão, merece as duas torcidas, merece o espetáculo dentro e fora de campo, assim como o torcedor merece ter uma experiência única de vivenciar isso.

O jogo válido pela Primeira Fase do Campeonato Mineiro de 2016 será no Independência, devido ao mando do Atlético e os cruzeirenses serão apenas 10% dos presentes no estádio.

O problema do estádio já é recorrente, envolve vaidade de ambos os times e segundo ambos os presidentes envolve a mística dos estádios em que se joga. Briga boba, como já dito, o clássico só perde força com isso.

Já para o jogo desse final de semana especificamente, outro problema grave de desorganização ocorre. O principal jogo do Campeonato Mineiro, que envolve os dois maiores de Minas sem discussão, teria diversas datas como opção, poderia ser marcado em qualquer rodada, a FMF teria o poder da escolha. E foi infeliz, muito infeliz. O jogo foi marcado exatamente para uma Data FIFA, onde clubes deveriam liberar jogadores, tanto para seleções principais, que disputam eliminatórias, quanto para as Sub-23, que se preparam para as Olimpíadas no Brasil.

Que pena. Times desfalcados, ambos elencos de qualidade com baixas muito consideráveis para o jogo, que em tese, deveria ser o mais valorizado pela organização do campeonato. A data e horário de marcação do jogo ainda é péssima para os torcedores. Final de um feriado prolongado, onde geralmente famílias se encontram para celebrar a Páscoa. O horário? Às 11 horas da manhã, por pedido da TV, que novamente não pensa no torcedor.

Ah, o torcedor, que além de todos os fatores negativos, ainda vai ter que pagar um preço absurdo no ingresso. Preço para o não-sócio do Atlético que varia de 95 a 400 reais e para o torcedor do Cruzeiro é vendido a preço único de 120 reais. O torcedor ainda não vai poder fazer uma linda festa, já que bandeiras, instrumentos e faixas foram proibidas, no caso do torcedor do Cruzeiro.

É uma loucura o que o Superclássico Mineiro tem se tornado, um espetáculo que já levou mais de 100 mil pessoas ao Mineirão em um jogo com Dirceu Lopes, Reinaldo, Tostão, Dadá Maravilha, ter que se contentar com um público de 20 mil pessoas em um jogo com times desfalcados por incompetência de federação.

Só gostaríamos de uma coisa, que devolvessem nosso verdadeiro clássico, o clássico que nós torcedores, somos donos.

Por: Igor Dias e Yuri Laurindo

 

 

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