O mau desempenho do Cruzeiro tem um nome?

Uma das coisas que enganam no futebol é a invencibilidade, talvez até mais do que o empresário do lateral Douglas. O Cruzeiro de 2017 se manteve invicto por um longo tempo, mas acredito que o torcedor não deveria se deixar levar por isso. Em casa, perdemos o Mineiro e fomos derrotados para o São Paulo – como de costume -, apesar da classificação. Além disso, fomos desclassificados na Sulamericana para o Nacional do Paraguai, cujo futebol parecia daqueles times de pelada cujo xerife da zaga é um sujeito com sobrepeso e fã de Ramones.

O Cruzeiro também está invicto no Brasileiro. Estaria, se tivesse vivo. A máscara da invencibilidade caiu contra a Chapecoense em um jogo cujo resultado caberia muito bem no jogo de volta das oitavas da Copa do Brasil, inclusive. Mas essa máscara já estava mais desgastada do que aquela do Pânico que você reveza com a sua família desde 2001 nas festas de Halloween. A torcida pode até ter se iludido depois da vitória contra o Santos na Vila, mas sabia que o Cruzeiro não estava bem.

Fato é que o time não está atuando bem há algum tempo, e a partida do último domingo contra a Chape foi o retrato mais fidedigno dessa temporada. Os desfalques pesam, o gol não sai, o Thiago Neves não quer jogar bola, o Léo, bom, o Léo… Vocês sabem. Mas nada disso é justificativa para as atuações dignas das adjetivações mais pesadas do Mauro Cezar. O motivo mais plausível pode ser o treinador, sim.

Brigas e confusões à parte, o Cruzeiro já não merecia ter classificado para as quartas da Copa do Brasil. A Chapecoense se mostrou um time mais organizado em campo nos dois últimos jogos. E deu a lógica.Talvez a arrogância do Mano Menezes seja uma punição por, não sei, difícil pensar em alguma coisa. Ainda bem que a diretoria do Cruzeiro nunca demitiu um técnico bicampeão brasileiro e o deixou sozinho na entrevista coletiva em seguida.

Evidente que o Mano não tem peças de reposição tão boas quanto o Marcelo Oliveira tinha. Mas o elenco está longe de ser ruim. E deixar o artilheiro do time no banco até quando o Sóbis machuca parece ser uma escolha baseada em uma birra de dar inveja em um garoto de 8 anos torcedor do Manchester United que ganhou de presente uma camisa com o nome do Gabriel Jesus. Certo que o Ábila precisa jogar como se a bola fosse de fogo. Não por organização tática à lá Barcelona do Guardiola, e sim por causa das limitações do Wanchope. Que seja um fogo em direção ao gol, porque isso ele sabe fazer.

Mano Menezes deu outra cara ao Cruzeiro de 2015 e, fazendo jus ao que o tornou conhecido, ajustou a defesa também na volta dele ao clube. Mas quando nem a defesa tá funcionando mais, o alerta precisa ser ligado. Para o cruzeirense ainda poder sonhar nesta temporada, é preciso contratar não só o volante Quermes Raça (ex-Atlético), como também o Quermes Organização Tática e Quermes Humildade. E nosso treinador não parece estar disposto a ir atrás desses reforços.

Com Mano ou sem Mano, que sigamos na Copa do Brasil mais ligados, até porque o adversário das quartas será o Palmeiras e ultimamente a lei do ex tem sido aplicada bastante nos jogos do Cruzeiro. “Ah, mas tem o Rafael Marques que era do Palmeiras”. E é por causa de sugestões como essa que toda lei tá aí pra ser quebrada.

Por: João Miguel Bastos

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