Por que o Guto trocou a Série A pela Série B (de novo)?

Quando você para pra pensar que o Bahia, recém campeão da Copa do Nordeste e com uma largada de Brasileirão razoável, está a procura de um novo treinador, rapidamente pensa “algo de errado não está certo”. Mas será mesmo ? Aqui  vamos tentar entender um pouco do raciocínio que, na minha opinião, fez o Guto Ferreira trocar um clube da primeira divisão por um da segunda.

Ano passado, mais precisamente no dia 24/06, o “Gordiola” estava trocando a Chapecoense para assumir o Bahia. Na época, todos questionaram o motivo, já que fazia uma sólida campanha na Série A com o clube catarinense e estava indo disputar a Série B.

Circulam informações que a proposta salarial para o treinador era de três vezes mais do que recebia na Chape, fora que o Tricolor de Aço é bem mais tradicional e influente no cenário brasileiro. Mas mesmo assim, continua meio sem nexo trocar a Primeira pela Segunda, certo? Talvez não.

Disputando a segunda divisão pelo Bahia, Guto teria uma estabilidade muito maior. O elenco baiano era muito acima da média para a Série B, então a chance de “missão cumprida” e do treinador sair por cima seria infinitamente maior.  Na Série A, quando se disputa por clubes de médio porte pra baixo, a chance de oscilar durante a competição e vir a ter seu trabalho questionado é gigante. Uma hora você está bem no cargo, mas basta perder três partidas seguidas que a pressão sobe instantaneamente.

Agora pegue todos esses argumentos que foram apresentados ao trocar a Chape pelo Bahia e multiplique pelo tamanho do Internacional. Vai ter um salário maior, sucesso praticamente garantido no final da temporada, menos pressão por resultados e um elenco muito, mas muito mesmo, superior ao restante dos adversários do campeonato. Guto terá o restante do ano para fazer o famoso “feijão com arroz”, subir o Inter com sobras e sair provavelmente com a oportunidade de montar o seu elenco para a Série A de 2018, com uma injeção financeira que costuma acontecer quando um clube grande volta da agonia chamada Série B do Campeonato Brasileiro.

Mas nem tudo são rosas. Pulando de clube em clube, o técnico acaba ficando marcado. E trabalhando mais em busca de acessos, acaba sendo menos carimbado pela Série A, o que deixa outros clubes com um pé atrás na hora de contratá-lo, mudando sua perspectiva de mercado.

Escrevi esses texto apenas para fazer um contraponto a tudo que tem sido falado em torno dessa mudança. Vejo muita gente criticando a escolha do técnico, mas os clubes são os primeiros a descartarem o comandante nos momentos de turbulência. São sempre os primeiros a terem a cabeça cortada.

Para finalizar, acho que o treinador que toma uma atitude como essa não pode reclamar da postura do clube e vice-versa. Bradar que Guto é mercenário, vendido etc é não se colocar no lugar dele, é ofender não só o profissional, como também o ser humano.

No mais, é isso. Deixem suas opiniões no campo dos comentários e vamos debater. Obrigado.

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