TOP 5 #1 – Momentos Memoráveis das Últimas Edições da Champions

A UEFA Champions League, edição 2016/17 começou nesta terça-feira (13), e para marcar o início da competição, nós do Sem Clubismo resolvemos reunir no nosso primeiro TOP 5 os momentos mais memoráveis das últimas edições do principal torneio do Velho Continente. Este será o primeiro de vários TOP 5 que serão postados no site, sempre nas quartas-feiras. Semana que vem, o assunto é Copa Sul-Americana!

5 UCL

Real Madrid e Barcelona se enfrentavam em um jogo tenso no Santiago Bernabéu, válido pela semifinal da edição 2010/11. O duelo entre Mourinho e Guardiola e Messi e Cristiano Ronaldo trazia um tempero a mais para o confronto. No geral, a partida começou amarrada, o primeiro tempo teve poucas chances, em sua maioria da equipe catalã. David Villa para o Barcelona e Özil para o Real Madrid foram os que mais chegaram perto de marcar.

O segundo tempo começou ainda mais truncado, com confusões, muitas faltas e uma expulsão, a do violento luso-brasileiro Pepe, após uma entrada em Daniel Alves. A partir daí, o rumo do jogo mudou. O Barcelona passou a chegar mais ao gol dos merengues, perdendo muitos gols com Villa e Pedro, na sua maioria. O jogo caminhava para o final, até que um certo argentino baixinho chamou a responsabilidade e resolveu. Aos 30, Lionel Messi abriu o placar após passe de Affelay e calou o Bernabeu, mas ninguém imaginava o que estava por vir.

Messi comemorando o primeiro na partida
Messi comemorando o primeiro na partida

Aos 41 minutos a bola caiu no pé do baixinho. Ele passou pelo primeiro, pelo segundo, estava imparável, aquilo era um colírio para os olhos. O terceiro, o quarto, o quinto, ninguém conseguiu tirar a bola dos pés do argentino, parecia que ela estava colada com a cola mais forte do mundo. Casillas saiu do gol mas de nada adiantou. Com a perna ruim, Lionel Messi marcava um gol de placa e sacramentava a classificação do Barcelona ainda no primeiro jogo.

 

4 UCL

Era o jogo de volta da semifinal da edição 2011/12 da Champions. O Chelsea de Di Matteo havia vencido a primeira partida no Stamford Bridge pro 1 a 0, e chegava no Camp Nou com a proposta de se defender para sair de lá classificado. O Barcelona, como sempre, começou dominando o jogo, com a posse de bola característica da equipe de Pep Guardiola. Xavi e Iniesta tomaram conta do meio-campo no primeiro tempo.

A proposta do Chelsea parecia funcionar. Foram 34  minutos segurando a pressão, mas de uma hora pra outra o inicio de um eminente desastre aconteceu, Busquets abriu o marcador e os catalães igualaram o placar do jogo de ida. Logo depois, o capitão dos londrinos, Terry, foi expulso e um massacre foi anunciado. Aos 43, Messi deixou Iniesta na cara do gol e o camisa 8 definiu com maestria. Era o da classificação, o da tranquilidade ainda no primeiro tempo. Aí que todos se enganaram.

Quando a goleada parecia inevitável, um brasileiro apareceu para acabar com a festa em Barcelona. Lampard lançou Ramires e o volante ficou frente-a-frente com Valdés. O mundo parou para observar o lance e a beleza da conclusão. Com um toque impressionante por cima do goleiro, o brasileiro calou o Camp Nou.

O toque de Ramires para marcar em pleno Camp Nou
O toque de Ramires para marcar em pleno Camp Nou

No segundo tempo, Lionel Messi ainda perdeu um pênalti. O Chelsea suportou a pressão e Fernando Torres, no final do jogo, definiu a classificação dos Blues. O time de Londres seria o campeão daquela edição na final contra o Bayern em plena Allianz Arena. A imagem do gol de Ramires foi eternizada na história do clube.

3 UCL

Bayern de Munique e Borussia Dortmund se enfrentavam em uma final cheia de aperitivos. A atmosfera no Wembley, um dos estádios mais emblemáticos do mundo, era sensacional. Baváros e aurinegros tomaram conta da capital inglesa para assistir o confronto que daria aos alemães mais um título de UEFA Champions League. O Bayern carregava a derrota em casa, um ano antes e o Borussia chegava com títulos nacionais contra o próprio Bayern em temporadas passadas mas com a perda da Bundesliga na temporada atual.

As duas equipes vinham de grandes finais em que haviam se encontrado, com a consolidação entre os clubes da Alemanha que mais se equiparavam no aspecto técnico. Além disso, o time de Munique tinha acabado de anunciar a contratação da maior revelação do BVB na época, Mario Götze, o que gerou muita desconfiança por parte da torcida aurinegra. Logo após a concretização da negociação o jogador foi alvo da torcida, sendo considerado um traidor. Ele não jogou a final por conta de uma lesão, o que despertou mais ainda a fúria da Muralha Amarela. O meia acabou retornando a Dortmund em 2016.

O jogo foi tenso mas muito bom e com um primeiro tempo com um verdadeiro ar de batalha e quem dominava era o BVB no inicio. Por muitas vezes a equipe de amarelo quase abriu o placar, do outro lado Robben perdeu dois gols cara-a-cara com o goleiro, fazendo jus a sua fama de “pipoqueiro”, mas a primeira etapa acabou no 0 a 0. Na segunda etapa, logo aos 15, Mandzukic abriu o placar para os bávaros, mas logo em seguida Gundogan, de pênalti, empatou.

Robben comemorando o gol do título
Robben comemorando o gol do título

A partida ficou sensacional, muito corrida, mas caminhava para uma prorrogação. Só que um herói inesperado apareceu. A história quis que o jogador que perdeu um pênalti decisivo um ano antes, o jogador que sempre foi conhecido por não ser decisivo e acumulava fracassos na carreira fosse decisivo naquela noite. Robben aos 44 do segundo tempo, pela SEXTA vez na partida, saiu cara-a-cara com Weidenfeller após limpar Hummels, era a hora. De esquerda, com um toque mascado, o holandês tirou do goleiro e correu pro abraço, era o gol do título e da redenção do camisa 10 do Bayern.

2 UCL

Após perder por 2 a 0 o jogo de ida no Santiago Bernabeu, o Borussia Dortmund tentava reverter o resultado. No Signal Iduna Park, com o apoio de sua sempre vibrante torcida. Muitos davam o confronto como encerrado logo após o primeiro jogo, mas não contavam com um fenômeno polonês.

Logo aos 7 minutos do primeiro tempo, Lewandowski já mostrou que os aurinegros não estavam mortos no confronto e abriu o placar após cruzamento de Mario Götze. O cenário parecia perfeito para uma virada histórica da equipe de Dortmund, rumo a classificação para disputar a final do maior torneio de clubes do mundo. Só parecia. Após o gol, o Real Madrid se reestruturou na partida e passou a ter maior segurança defensiva.

Em um contra-ataque mortal, Cristiano Ronaldo empatou a partida na Alemanha. Aos 41 minutos do primeiro tempo parecia que não ia dar mesmo para os comandados de Jurgen Klopp e que o Real Madrid ia avançar a mais uma final de UEFA Champions League. A primeira etapa acabou, e com ela o sentimento de que com o Borussia precisando de fazer três gols para classificar o jogo seria muito bom no segundo tempo.

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Lewandowski comemorando o seu quarto gol

Lewandowski já tinha marcado o primeiro gol, logo no início do jogo e no segundo tempo com o BVB partindo pra cima repetiu a dose. Logo aos quatro minutos após a virada de lado, o polonês recebeu a bola e girou para marcar, 2×1, faltavam dois. A pressão era absurda, a equipe de Dortmund se tornou um “Carrossel Amarelo” e partiu pra cima como nunca. Somente cinco minutos depois a bola caiu de novo no pé de Lewa, o atacante girou novamente, dessa vez com um movimento mais plástico e chutou no ângulo. Golaço. Faltava só um gol, parecia um roteiro de um filme. Só se passaram mais dez minutos e após Reus ser empurrado na área, o Borussia poderia marcar o que seria o gol da classificação em uma cobrança de pênalti. Sobrou pro matador. Lewandowski ia se consagrar e fazer um poker numa semifinal de UCL, quem diria. QUATRO GOLS EM UM SÓ JOGO e em um jogo desse porte. O centroavante não titubeou, encheu o pé no meio do gol e correu para a Muralha Amarela. Os aurinegros se seguraram e estavam então, classificados para a final contra o conterrâneo Bayern.

1 UCL

A final da edição 2013/14 marcou o momento mais impressionante talvez até da história da UEFA Champions League. Os rivais Atlético de Madrid e Real Madrid se enfrentavam em um cenário maluco. Enquanto os colchoneros buscavam o primeiro título da competição continental, os merengues já tinham 9 conquistas e estavam em busca da emblemática ‘la décima’. Com isso, Lisboa ficou um pouco espanhola por uma semana. Torcedores eufóricos tomaram conta de uma cidade tranquila, que viveu um dia histórico, era a primeira vez que uma UCL era decidida por dois clubes de uma mesma cidade.

O jogo no Estádio da Luz teria a marca de Simeone, todo mundo sabia disso. O argentino que impressionou o mundo levando os seus comandados à uma final de Champions tinha na sua mão uma espécie de orquestra, que lutava pela vitória até a última gota de sangue se fosse necessário. A previsão de todos foi confirmada, o glamour da UCL foi substituído por uma atmosfera de um jogo de Copa Libertadores. A força na marcação dos jogadores do Atleti era absurda, corriam como se não houvesse amanhã, como se sua vida estivesse em jogo. O Real tomava conta da partida, mas não assustava lá na frente.

A entrega dos colchoneros foi premiada ainda no primeiro tempo. Após cobrança de escanteio de Gabi, Casillas saiu mal do gol e a bola sobrou pra Godín. De cabeça o zagueiro artilheiro mandou a bola pra dentro, sem nenhuma dificuldade. Simeone corria, Diego Costa (substituído aos 9 minutos por lesão) sorria como nunca no banco de reservas e os torcedores recriaram um caldeirão em Portugal. Que cenário! Era perfeito o rumo que o jogo tomava, era lindo para o menino futebol.

Sergio Ramos subindo pra empatar a final
Sergio Ramos subindo pra empatar a final

O jogo ficou diferente, o jogo de ataque contra defesa ficou mais nítido. O Real partia pra cima como podia e não podia, cedendo alguns contra-ataques ao Atleti. A pressão ficava cada vez mais intensa, o Atlético abdicou de atacar, mas a bola insistia em não entrar. Cruzamentos na área passaram a ser constantes, o Real se desorganizou, queria o empate a qualquer custo. Aos 45 minutos do segundo tempo o juiz indicou o tempo de acréscimos. Bastavam cinco minutos, que custavam anos, para o azarão levar o inédito título. O tempo não passava e aos 48 tudo foi por água abaixo. Modric pegou a bola para bater o escanteio, o time todo do Real já estava na área, era talvez a última chance. O croata bateu com maestria e um silêncio tomou conta do estádio. Enquanto aquela bola subia um filme passava na cabeça dos colchoneros e o que era sonho virou um pesadelo. Sergio Ramos subiu muito alto, testou a bola, que ganhou força de um chute e Courtois nada pode fazer. A bola morreu no canto direito do goleiro, metade do estádio foi a loucura e a outra metade se calou. Enquanto os jogadores do Atleti se jogaram ao chão, sem acreditar, os jogadores do Real corriam para comemorar, como se a energia fosse a mesma do início do jogo. Foi lindo, coisas daquelas que só o futebol proporciona. Levando o jogo para a prorrogação, o time do Real Madrid foi superior e contra um time morto fisicamente conseguiu fazer mais 3 gols e levantar a taça.

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