1999: O auge da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras

1999: O auge da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras

Independente da fase dos clubes, quando Palmeiras e Corinthians se encontram, a promessa é sempre de um grande duelo. Não necessariamente um jogo bonito, técnico e bem praticado, porém raça, arquibancadas lotadas e muita provocação são ingredientes que nunca faltam para ambos os lados. Entretanto, quando os rivais alcançam o topo no mesmo período de tempo, o Derby que já costuma ser marcante, se torna inesquecível para o resto da vida de corinthianos e palmeirenses.

O primeiro clássico foi realizado em 1917, mais precisamente no dia 6 de maio. O Palestra Itália venceu por 3 a 0 — todos os gols marcados por Caetano Izzo. No decorrer do século, na medida em que partidas marcantes eram realizadas, a rivalidade ia crescendo cada vez mais. No entanto, foi na década de 1990, sobretudo em seu final, que um dos maiores jogos do país se consolidou como um dos maiores clássicos de todo o planeta.

Durante os anos 90, o jejum de títulos alviverdes que durava 17 anos acabou justamente em uma final contra o arquirrival, com direito a show de Evair e goleada de 4 a 0 no jogo decisivo do Paulistão de 93; já o Corinthians deu o troco dois anos mais tarde, vencendo a decisão estadual por 2 a 1. Mal sabiam as torcidas de que o melhor ainda estava por vir: em 1999, foram disputados 8 jogos no total, sendo 4 pela Libertadores e 2 pelas finais do Campeonato Paulista.

Ambos os clubes tinham patrocinadores fortes que bancavam nomes de peso como Rincón, Gamarra, Vampeta e Marcelinho para o Timão e Oséas, Arce, Paulo Nunes e Alex para o Verdão. Os treinadores também eram de primeira linha, Luxemburgo havia deixado o Parque São Jorge para assumir a Seleção Brasileira e foi substituído no começo por Evaristo de Macedo e depois por Oswaldo de Oliveira enquanto Felipão já comandava o elenco palestrino há duas temporadas.

Como na época o Brasil só tinha direito a duas vagas na Libertadores (o Vasco participou em 99 por ter sido campeão da edição anterior) e o regulamento previa que equipes do mesmo pais se cruzassem já na fase de grupos, os dois primeiros jogos do ano foram pela competição continental. Com uma vitória para cada, os paulistas se sobressaíram sobre os paraguaios Olimpia e Cerro Porteño e se classificaram para as oitavas-de-final.

Seus adversários seriam Jorge Wlistermann e Vasco da Gama. Enquanto os comandados de Oswaldo de Oliveira conseguiram a vaga com certa facilidade, os de Felipão tiveram que ralar para eliminar os atuais campeões. Nas quartas, outro Corinthians x Palmeiras.

O dia era 5 de maio e Marcos já demonstrava sua importância com diversas defesas importantes. Se lá atrás o goleiro fazia sua parte, na frente Oséas e Rogério marcaram e garantiram a boa vantagem de 2 a 0. Uma semana depois, o Morumbi presenciou o dia em que Marcos “se transformou em santo”. Sua boa atuação no tempo normal não foi suficiente para aguentar a pressão adversária e Edilson e Ricardinho empataram o placar agregado. Nos pênaltis, o arqueiro palmeirense defendeu a cobrança de Vampeta e manteve seu time na tão cobiçada disputa pela América.

Enquanto isso, pela segunda fase do Paulista nova vitoria palmeirense, 3 a 1. Ao final da segunda fase, todos os grandes se classificaram às semifinais, com São Paulo x Corinthians de um lado da chave e do outro, Santos x Palmeiras. As primeiras colocações da dupla SanSão em seus respectivos grupos garantiam a vantagem de decidir em casa, porém ela não foi aproveitada e assim como em 93 e 95, o Derby decidiria o troféu paulista.

Já eliminado do torneio continental, o Corinthians via uma oportunidade de “dar o troco” no rival e ainda se sagrar campeão. Como o caos do calendário brasileiro já presente desde aquela época, as finais continentais e estaduais tinham datas muito próximas e Felipão preferiu poupar seus jogadores na primeira partida diante do Timão para se manter focado no Deportivo Cali, com quem disputaria o título 3 dias depois. Seus reservas perderam de 3 a 0 no Derby e os titulares se sagraram campeões contra os colombianos.

A festa era grande mas tinha que durar pouco porque era necessário reverter uma grande vantagem caso quisessem levantar o segundo troféu em uma semana. O equilíbrio era grande e na parte final do segundo tempo, quando o placar marcava 2 a 2 e o Corinthians se sagrava campeão com grande vantagem, Edílson começou a fazer embaixadas no meio do jogo. A atitude revoltou palmeirenses e após muita confusão, o árbitro preferiu encerrar a final e decretar o título ao Alvinegro.

Em seu último encontro naquele ano, os palmeirenses se deram melhor e se vingaram com um 4 x 1. Uma das únicas derrotas dos corinthianos no Brasileirão, que posteriormente se sagrariam campeões após derrotar o Atlético-MG nas finais.

Assim, 1999 se tornou um ano único na memória das duas torcidas. Os grandes torneios conquistados e os duelos memoráveis ficarão pra sempre na memória de quem teve a sorte de acompanhar uma época repleta de bons jogadores e grandes conquistas, tanto para quem usa preto e branco, como para quem prefere o verde. Algo raro na história de Palmeiras e Corinthians e de qualquer outra rivalidade do futebol brasileiro.

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