Guia definitivo para a temporada 2018 da MLS

Guia definitivo para a temporada 2018 da MLS

Não é novidade pra ninguém a qualidade dos estadunidenses para transformar uma marca em um fenômeno mundial. Com o futebol, ou soccer, não seria diferente, e em meio à isso a Major League Soccer (MLS) se fortalece e busca se consolidar no topo do esporte bretão.

Inicialmente, apresentado ao público e entrando em evidência no país em 1967, com o NY Cosmos, que teve nomes como Pelé e Beckenbauer, o futebol só voltou a ter destaque novamente em 1994 nos EUA, com a realização da Copa do Mundo. Apesar de sediar um evento desse porte, o soccer não caiu nas graças do público de cara e só foi ganhar uma liga realmente estruturada em 1996, nos moldes de outras franquias como a NFL, NBA e NHL, com a MLS, que passou a tratar o esporte como um negócio.

Atraindo grandes nomes do futebol mundial, como Valderrama, ganhou o aporte de grandes organizações e passou a crescer, com o equilíbrio e oportunidade aos jovens, pelo Draft, como de praxe nas franquias do país. Em 2007, com a chegada de David Beckham, que passou a atuar no Los Angeles Galaxy, a liga teve seu maior ganho comercial, que possibilitou o aumento do número de equipes de 13 para 23.

No âmbito do futebol de seleções, os EUA se destacam no futebol feminino. Com quatro medalhas olímpicas e duas taças de Copa do Mundo no currículo, o time americano sempre foi referência nesse quesito. Com grandes nomes como Alex Morgan, Hope Solo, Carli Lloyd e Abby Wambach, o bom resultado das mulheres não é refletido no futebol masculino.

Mesmo já tendo, vestindo a sua camisa, Landon Donovan, uma lenda do futebol, e hoje ter promessas como Pulisic do Borussia Dortmund, o US Team não tem empolgado. Após uma crescente notável no âmbito mundial, a seleção não conseguiu classificação para o Mundial de 2018 na Rússia e freiou a empolgação dos torcedores.

Para você que quer conhecer ainda mais do soccer, nós do Sem Clubismo, com apoio de Junior Ribeiro, especialista em futebol na América do Norte e representante do MLS da Depressão, preparamos um guia completo sobre a MLS!

A Liga

A Major League Soccer é o legado da Copa de 1994, tendo sua primeira temporada disputada em 1996, com dez franquias. Atualmente, a liga conta com 23 clubes na competição, mas há outros dois — Nashville e Miami — com estreias marcadas para 2020. Com apenas 22 anos, a MLS já passou por muitas situações complicadas, mas conseguiu se estabilizar, e cresce tanto no âmbito financeiro quanto no jogo praticado, tendo o nível futebolístico elevado a cada temporada.

Com o acréscimo do Los Angeles FC, a Conferência Oeste terá 12 equipes, enquanto que o Leste permanece com os mesmos 11 do ano passado. Cada clube disputará 34 jogos. A temporada regular tem seu início dia 3 de março e encerramento em 28 de outubro. O time de melhor pontuação conquista a Supporters’ Shield. Os playoffs acontecem em novembro e a MLS Cup está agendada para 8 de dezembro.

Todos os times enfrentarão concorrentes da mesma conferência duas vezes, em casa e fora. As equipes do Oeste disputarão uma partida extra com um rival da mesma conferência. No Leste, os clubes terão dois jogos extras neste molde citado. Todos os times jogarão contra adversários da conferência oposta uma vez apenas.

Oeste: jogos contra equipes da mesma conferência (11 em casa + 11 fora = 22); jogos diante de adversários do Leste (11); jogo extra contra um time da mesma conferência (1): 34 jogos. [Seattle pega o Portland 3 vezes; Galaxy encara o LAFC 3 vezes, por exemplo]

Leste: jogos contra equipes da mesma conferência (10 em casa + 10 fora = 20); jogos diante de adversários do Oeste (12); jogos extras contra times da mesma conferência (2): 34 jogos. [RBNY encara o NY City e o D.C. United 3 vezes, por exemplo]

Os seis melhores de cada conferência avançam ao mata-mata. O sistema é igual para ambos os lados. Os dois melhores colocados garantem vaga direta na semifinal interna. O terceiro pega o sexto e o quarto encara o quinto, em jogos únicos. O pior ranqueado classificado será o adversário do time de melhor campanha naquele ‘grupo’. Semifinal e final de conferências são disputados em ida e volta. Os campeões de Leste e Oeste se enfrentam na MLS Cup. O mando será da equipe de melhor pontuação na primeira fase.

Os times que disputam a MLS em 2018 são:

Conferência Oeste

  • Colorado Rapids
  • FC Dallas
  • Houston Dynamo
  • Los Angeles FC
  • LA Galaxy
  • Minnesota United FC
  • Portland Timbers
  • Real Salt Lake
  • San Jose Earthquakes
  • Seattle Sounders FC
  • Sporting Kansas City
  • Vancouver Whitecaps FC

Conferência Leste

  • Atlanta United FC
  • Chicago Fire
  • Columbus Crew SC
  • D.C. United
  • Montreal Impact
  • New England Revolution
  • New York City FC
  • New York Red Bulls
  • Orlando City SC
  • Philadelphia Union
  • Toronto FC

Demais campeonatos

Nem só de MLS vive um clube estadunidense. Todo país possui sua copa nacional e não é diferente nos EUA. A Federação de futebol organiza e promove a Lamar Hunt U.S. Open Cup, competição que existe desde 1914. Sim, o soccer não é algo novo na terra do Tio Sam. A copa reúne diversos clubes amadores, que disputam fases preliminares, além dos demais clubes profissionais, de todas as ligas. O New York Cosmos, por exemplo, eliminou o New York City em 2015, mas caiu na fase seguinte para o Red Bulls. E não podemos esquecer as três eliminações seguidas do LA Galaxy para o modesto Carolina RailHawks.

Obviamente, os times canadenses não são filiados à Federação dos EUA. No Canadá, eles disputam a Canadian Championship, que reúne os poucos [por enquanto] times profissionais do país. O campeão garante vaga na Concacaf Champions League.

Devido à mudança no calendário da principal competição da Concacaf, a forma de classificação dos clubes estadunidense mudou. Tal alteração feita pela MLS e USSF diminuiu o tempo de espera e começou a ser aplicado na temporada passada. O Seattle, campeão da MLS Cup em 2016, vai disputar a CCL agora em 2018, por exemplo. A partir de 2019, não haverá esse espaço todo. Confira a forma de classificação para a edição do próximo ano:

Campeão da Copa dos EUA 2017 >> Sporting KC
Campeão da MLS Cup 2017*
Campeão da Copa dos EUA 2018
Campeão da MLS Cup 2018

* A vaga para o campeão da MLS Cup 2017 ficará com a equipe estadunidense de melhor campanha somando a temporada 2017 e a 2018, um ranking de pontos agregados, basicamente. Se o SKC ganhar algum desses dois títulos em 2018, o ranking também será usado para definir outro classificado. Por que o Toronto não pode ter essa vaga? Elas são da Federação dos EUA, que repassa três para sua liga mais importante (MLS) e fica com uma (US Open Cup), porém, apenas filiados podem desfrutar desse “benefício”. Times do Canadá são filiados à Associação Canadense, não USSF.

Maiores Clubes:

As primeiras equipes a se filiarem a MLS foram as seguintes:

Conferência Leste:

  • Columbus Crew
  • DC United
  • New England Revolution
  • NY Red Bulls
  • Tampa Bay Mutiny

Conferência Oeste

  • Colorado Rapids
  • FC Dallas
  • Kansas City Wizards
  • Los Angeles Galaxy
  • San José Earthquakes

O Los Angeles Galaxy é considerado o maior e mais famoso time da liga, e é atualmente, o maior campeão da história da MLS. A primeira franquia de Los Angeles chegou à grande final da Major League Soccer, a MLS Cup, oito vezes, vencendo cinco delas. Em 2005, venceu também a US Open Cup, fazendo a chamada dobradinha, que designa a vitória nos dois campeonatos mais importantes do futebol dos Estados Unidos. A equipe de LA conta com 4 troféus da MLS Supporters’ Shield, empatado com o DC United, time da capital, que também tem uma bela história, sendo o segundo maior ganhador da MLS Cup (4). Ambas as equipes já venceram a Copa dos Campeões da CONCACAF, o DC United em 1998 e o Galaxy em 2000.

Apesar de serem considerados os dois maiores vencedores, os dois times vivem, atualmente, uma crise na qual não conseguem encontrar o futebol vistoso e vencedor que apresentavam nos últimos tempos e terminaram a última temporada nas últimas colocações do período regular e da suas conferências.

Em 2016, o Toronto FC parou nos pênaltis para o Seattle Sounders demonstrando um belíssimo futebol comandado pelo italiano Giovinco. Mas em 2017, o time do Canadá mostrou sua força sendo campeão da temporada regular com larga vantagem. É uma das equipes a serem batidas em 2018, pois vem em uma grande ascensão.

Torcida:

Muitas vezes visto como um terceiro esporte nos Estados Unidos, o futebol vem cada vez chamando mais atenção no país. A MLS, mesmo que não tenha a mesma mídia, nem a qualidade, em comparação a outros países, vem ganhando seu espaço no cenário mundial.

A chegada de craques em final de carreira já gerou muitas discussões em relação ao nível futebolístico apresentando, mas não podemos negar que isso trouxe muitas pessoas a acompanharem a Major League Soccer. Mesmo sem tantos times com fama mundial, a liga tem grande torcida local e a média de torcedores no estádio é muito boa. É interessante dizer que o ambiente agradável faz com que o número de crianças e mulheres seja enorme, atraindo ainda mais público.

Seattle Sounders

O Seattle Sounders tem a torcida mais presente do país, com uma média de 40 mil torcedores por jogo. A cidade é a mais apaixonada pelo “soccer” no país e cria um ambiente incrível a cada jogo.

Atlanta United

Como um dos times mais promissores da liga, o Atlanta United vem formando uma força gigante no futebol norte-americano.

O time da capital da Geórgia possui a melhor média na história da Major League Soccer (46.318 fãs por jogo, mais do que qualquer outra franquia MLS, NBA, NHL ou MLB no país). Números impressionantes que podem parecer improváveis para muitos.

Orlando City

O público do Orlando City vem sendo um dos sucessos da liga nos últimos anos e está conquistando a população local. Apesar de não ser uma das torcidas mais fieis, a média de público tem sido um sucesso.

Seu novo estádio tem uma das melhores estruturas e é um dos mais seguros da MLS, o que chama mais atenção para o lado do torcedor.

A MLS é um sucesso nas arquibancadas. Os times recebem um grande apoio do torcedor que comandam uma belíssima festa.

Poderio financeiro dos clubes

O crescimento financeiro da Major League Soccer e de seus franquiados reflete a procura de cidades e grupo proprietários por vagas na liga. A atual taxa de expansão gira em torno de US$ 150 milhões. Este valor cresceu 275% em sete anos, visto que o Montreal Impact desembolsou 40 milhões para ingressar na entidade. O levantamento anual da Forbes indica que a MLS vale em média US$ 223 milhões, aumento de 23% em 2016.

As franquias possuem proprietários milionários, alguns bilionários, donos de grandes empresas e até outros clubes em outros esportes. O sócio majoritário do Arsenal possui um time na MLS, por exemplo. Mas engana-se quem pensa que os times norte-americanos fazem loucuras e inflacionam o mercado como a China. Existem regras e restrições para contratações e montagem de elencos. A liga presa pelo equilíbrio. Quando falo liga, leiam-se todos os 24 proprietários majoritários e o comitê administrativo. Obviamente, alguns clubes possuem gestões que se acomodam e outras que exploram tais regras e potencializam seus times através desses mecanismos.

A MLS Players Union divulga a cada temporada os salários dos atletas. Em 2017, o Toronto FC gastou US$ 22,5 milhões com seus jogadores. Contando com Giovinco, Bradley e Altidore, a equipe canadense levantou três troféus na temporada passada. O D.C. United, último colocado na lista, teve uma folha salarial anual de apenas US$ 5,5 milhões.

Em agosto passado, a Adidas renovou seu contrato com a MLS. Vínculo de seis anos no valor total de US$ 700 milhões. Desta forma, a empresa alemã garante o fornecimento exclusivo do material esportivo de todos os clubes até 2023. A Adidas é parceira da liga desde 2004.

Os jogadores e o nível técnico da liga

Mesmo tendo conquistado muito público no mundo todo durante os últimos anos, a MLS ainda é uma incógnita do ponto de vista técnico para muitos fãs de futebol, recebendo muitos questionamentos, por exemplo, no Brasil. Conhecida no senso comum como uma liga para estrelas acomodadas se aposentarem, o torneio tem se desenvolvido e apresentado, cada vez mais, jogadores de alto nível.

Dentre os nomes que se destacam no torneio, Giovinco é um dos maiores exemplos do aumento da qualidade da liga. Atuando pela equipe canadense do Toronto FC, o italiano de 31 anos consegue aliar velocidade, qualidade de finalização e visão de jogo, nunca deixando de lado a capacidade de participar do jogo pressionando os adversários na marcação. Na última temporada, a Formiga Atômica anotou 16 gols.

Além de Giovinco, o francês Romain Alessandrini, de 28 anos, é mais um dos jogadores de “meia idade”, que, no auge da forma física, comem a bola na Major League Soccer. Ponta de velocidade, o ex-Marseille recuperou sua melhor forma no Los Angeles Galaxy, anotando 13 gols e 11 assistências nos 27 jogos que disputou na temporada. Na mesma equipe, a dobradinha dos irmãos Dos Santos, com Giovani, camisa 10 da seleção mexicana e Jonathan, ambos revelados pelo Barcelona, de 27 anos, se destaca pela capacidade de trazer velocidade na transição da equipe, com muita qualidade de passes.

Dentre os mais velhos, o maior destaque, sem dúvida, é a lenda espanhola David Villa. Aos 36 anos, o atacante demonstra que sua pontaria ainda está em dia e que o New York City acertou em cheio na sua contratação. Autor de 24 dos 59 gols da equipe na temporada, Villa tem a maior média de contribuições da MLS, tendo anotado incríveis 41% dos gols do nova-iorquinos.

Outro craque que chega á temporada de 2018 com promessas de grandes atuações é Basti Schweinsteiger, de 33 anos de idade. Tendo sua passagem no Manchester United considerada um fracasso por muitos, o alemão chegou ao Chicago Fire em 2017 e já acumulou bons jogos pela equipe, renovando o contrato para atuar por mais um ano. Voltando a Los Angeles, o lateral Ashley Cole, com seus incríveis 37 anos, não teve uma boa temporada de estreia no Galaxy, mas pode se destacar com uma virada em 2018.

Apesar da tendência a estrelas de idade mais avançada nos últimos anos, uma nova leva de jogadores têm chegado aos Estados Unidos com uma característica em comum: são jovens jogadores que tem tudo para despontar no mundo do futebol e chegar a atuar em alto nível na Europa. Em sua maioria, esses nomes vem de clubes da América do Sul e evidenciam uma estratégia de Scout diferenciada das equipes da MLS.

Dando um exemplo nessa nova tendência, o Atlanta United, franquia relativamente nova na liga, chega com um trio de respeito para disputar a temporada 2018. Ezequiel Barco, jovem de 18 anos que foi um dos melhores jogadores das Américas em 2017, atuando pelo Independiente, em uma transação que rendeu 15 milhões de dólares aos cofres dos argentinos, se junta ao camisa 10 paraguaio, Miguel Almirón e o atacante venezuelano Josef Martinez, para assolar os adversários. A equipe de Tata Martino, ainda conta com Hector Villalba, argentino de 23 anos, que também se destaca por lá.

Por último, mas não menos importante, o jovem de 19 anos, Josué Colmán chega no Orlando City com o peso de substituir Kaká no comando do meio-campo da equipe. Essa grande responsabilidade não deve assustar a joia, que desde o Cerro Porteño demonstra qualidade e maturidade.

A MLS, sem dúvidas, merece o devido respeito e inegavelmente cresce, ganhando seu espaço no coração do amante por futebol. Para acompanhar o futebol estadunidense, o brasileiro tem a opção de assistir os jogos pela ESPN, que volta a deter os direitos da Major League Soccer no Brasil, o SporTV, por sua vez, ainda não se pronunciou sobre as transmissões em 2018, além de poder acompanhar a Liga dos Campeões da CONCACAF pelo FOX Sports.

Mesclando organização, paixão e qualidade de jogo, a liga promete se tornar uma das maiores do mundo em breve. No Brasil, ela já conquistou diversos fãs e vai te conquistar também!

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