Reis africanos no império errado

Reis africanos no império errado

Por: Giulia Arone

Existe um ditado alemão que diz: ‘Se há dez pessoas numa mesa, um nazista chega e se senta, e nenhuma pessoa se levanta, então existem onze nazistas numa mesa”.

Este texto aqui poderia ficar falando por horas sobre o que está errado em nós. Sobre o racismo, sobre o protecionismo com o racista, sobre a culpabilização da vítima. A sociedade está doente, mas é exatamente por isso, que o rumo vai ser outro.

O que vai ser dito, será único e exclusivamente, reservado para falar da coragem, da bravura e da ousadia. Do momento em que o sangue ferve, e não existe opressor que te derrube. Esse é você, Moise Kean.

Eu poderia te chamar de preto no topo, mas você ainda vai ser muito maior. Seu topo tá longe e tão alto, que nem o achismo de superioridade da alma branca vai te derrubar.

Não vamos nos calar, porque você não se calou. Não vamos nos calar, porque alguém quis te silenciar. Não vamos nos calar, porque você será rei. De Wakanda, da Itália e do mundo. Mas por outro lado, você já foi rei, quando abriu os braços, como quem diz: “É só isso que vocês tem? Porque eu sou muito mais”. Tu é, Kean, muito mais.

Muito mais que a cor da pele, porque também é o brilho no olho. Muito mais homem que o Bonucci jamais será. Muito mais ser humano do que um branco qualquer jamais vai ser. Você é o futuro, a resistência, o amor e a negritude. Esta que ficou em silêncio por muito tempo, porém não ficará mais. Vai gritar tão alto e tão imponente, que nem o maior dos jogadores poderá impor quem você deve ser. Você já sabe quem é.

Obrigada por ser tão forte, por se posicionar tão necessariamente e por abaixar, sim abaixar, a cabeça. Não tem como olhar pra cima, já que os racistas estão abaixo de você.

Abra sempre os seus braços para o Mundo, porque ele é teu. E quando alguém levantar a voz a ti, vá de peito aberto responder, como o gigante que já é.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *