O desabafo de Yedlin

O desabafo de Yedlin

O brutal assassinato do afro-americano George Floyd deu início a uma série de manifestações nas ruas dos Estados Unidos e nas redes sociais ao redor do mundo. George estava algemado, deitado de bruços na estrada, com um joelho policial o asfixiando durante sete minutos – até a sua morte.

As vidas negras tiradas por conta da violência policial comoveram também jogadores de futebol e geraram alguns protestos na rodada do fim de semana na Bundesliga. Sancho e Hakimi, do Dortmund, “comemoraram” seus gols pedindo por justiça no caso. Marcus Thuram, filho do campeão mundial em 1998 — Lilian Thuram e ícone no combate ao racismo dentro do futebol, ajoelhou-se ao marcar o segundo gol do Gladbach contra o Union Berlin.

Mas um dos relatos mais tocantes relacionados ao assunto partiu do lateral DeAndre Yedlin, do Newcastle e da seleção norte-americana . Yedlin publicou em seu Twitter uma sequência de tweets sobre o caso e citou uma conversa por mensagem de texto que teve com seu avô, dias depois do assassinato de George Floyd:

“Alguns dias após a morte de George Floyd, meu avô me mandou uma mensagem de texto e me disse que estava feliz por eu não estar morando nos EUA agora, porque ele temeria pela minha vida como jovem negro. Com o passar dos dias, esta mensagem do meu avô não foi capaz de deixar minha mente.”

“Ele nasceu em 1946, viveu o movimento pelos direitos civis, viveu tempos terrivelmente racistas na história dos EUA e agora 70 anos depois ainda teme pela vida de seu neto negro, no país em que ele e seu neto nasceram, no país que seu neto representa quando ele joga nos Estados Unidos, no país que seu neto representa quando ele joga na Inglaterra.”

“Lembro-me de estar na escola primária e ter que recitar o Juramento de Fidelidade que termina em “com liberdade e justiça para todos.” Todo americano precisa se perguntar: existe “liberdade e justiça para todos”? E, se a resposta for afirmativa, eles fazem parte do problema. De maneira alguma estamos pedindo que vidas negras importem mais do que vidas brancas. Tudo o que pedimos é que sejamos vistos como iguais, como mais de 3/5 de um homem, como seres humanos. Meu coração vai em solidariedade a George Floyd, sua família e todo o incontável número de vítimas que tiveram suas vidas tiradas pelas mãos de brutalidade policial sem sentido.”

Em um período tão difícil como este em que estamos vivendo, tiremos pelo menos um tempo para ouvir, sentir e repensar tudo o que envolve o nosso sistema racista, que privilegia brancos e mata negros todos os dias ao redor do mundo.

Não feche os olhos.

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